24.06.2009

Um, dois, três

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Deixem-me terminar com uma anedota que, como todas as anedotas, não diz nada e diz tudo. O primo de um aluno meu, nos anos em que Kennedy havia criado aquela força de paz para enviar ao chamado “Terceiro Mundo” foi realizar uma tarefa docente em um pequeno povoado da África. Mas não queria ensinar às crianças nada do que sabia, porque considerava um ato de colonialismo. A única coisa que aceitou fazer foi dar aulas de ginástica. Um dia, chegou diante das crianças com uma caixa de balas e não sei o que mais. Todas as crianças esperavam esse jovem alto, bom, grande. E o jovem americano lhes disse: “Olhem aquela árvore ali, a cem ou duzentos metros; eu vou contar ‘Um, dois, três’ e vocês vão começar a correr. Quem ganhar terá os prêmios merecidos.” Os sete ou oito meninos do povoado estavam nervosos. Ele disse ‘um, dois, três’ e todos os meninos do povoado deram-se as mãos e correram juntos: queriam dividir o prêmio. Sua felicidade era a felicidade de todos.

 

 

Raimon Panikkar, O Espírito da Política - Homo Politicus (originalmente publicado em 1999 na Espanha, editado em 2005 no Brasil pela Triom)

 

 

 

Notas do blog: foto ©mashada; deixo você com uma Chuva de Bençãos, antiga postagem de um e-mail que enviei a meus amigos, e que continua sempre atual -- a gratidão é cotidiana, diante da água encanada e de um cobertor, seja do que for... E o vídeo para encerrar é um trecho de 25 segundos do final do filme Into the Wild, que contém a mesma conclusão da canção Wave -- é impossível ser feliz sozinho...

 

 

E por favor atente aos novos links preciosos acrescentados ao box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela: dos amigos de Portugal, com sua costumeira capacidade para a beleza, a poesia e a sabedoria, chegam o vasto Reino de Shambala, do Moysés, e a Ana nos traz a delicadeza e sutileza das imagens poéticas e bisextas do habitado... Um porquê meditar pode ser respondido pelo excelente e belo Arte Zen, e no esferamanuscrita você lê as poesias de insight da Rita... Desfrute!

A história das crianças africanas acima comoveu-te? Quer dar as maõs a teus irmãos e amigos, quer participar de um abraço planetário? Você pode acessar o site do Médicos sem Fronteiras, cujo link passa a ficar permanentemente disponível no box Sites recomendados, e fazer a sua doação.

Obrigado.

22.06.2009

Resumindo

Se pudesse resumir o paraserzen como um percurso, em apenas algumas frases e todas elas de postagens anteriores, seriam elas (com seus respectivos autores):

 

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A gente tá na vida emprestado.

Sabedoria popular brasileira

 

Observe atentamente o caminho que seu coração aponta e escolha esse caminho com todas as forças.

Provérbio hassídico


Pensar que hemos de entrar en el cielo, y no entrar en nosotros... es desatino.

Santa Teresa D'Ávila


-- Oh coisa boa a gente andar solto, sem obrigação nenhuma e bem com Deus!

João Guimarães Rosa


Deus me deu o dom da liberdade para pensar um pouco mais em minha alma.

San Juan de la Cruz

 

O essencial não é pensar muito -- é amar muito.

Santa Teresa d'Ávila

 

Ninguém é correto em amor, ninguém jamais ama o bastante.

Jean-Yves Leloup


Onde não há amor
coloca o amor
e receberá o amor.

San Juan de la Cruz


Por favor, nunca acredite que o amor não está presente em você, porque isso não é verdade. O amor está sempre em você, como a luz do sol que, mesmo quando chove, brilha acima das nuvens.

Thich Nhat Hanh


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Dedico esta postagem a todos os meus ancestrais espirituais, à sua presente manifestação no Thich Nhat Hanh, a todos os meus irmãos e irmãs de prática espiritual, em todas as tradições ou fora delas; dedico esta postagem a todos os meus ancestres de sangue, desde os tempos imemoriais, e especialmente aos meus pais e ao meu irmão, com gratidão e amor; e a todos os meus ancestrais animais, vegetais e mineriais; dedico esta postagem a todos os nossos descendentes -- em todos os tempos e em todas as direções possamos todos ter e viver em Paz, Alegria e Amor.

Bijam.

09:33 Escrito em Amor/Love | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: amor

24.05.2009

Mais sorrisos e risos

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Uma postagem que é uma colagem de outras, inspiradas na postagem de ontem sobre a Meditação do Riso, e no sorriso do meu querido amigo e Irmão Arnold Novak, um dos muitos Budas com quem em Plum Village convivi, a quem faço uma homenagem.

Sofrer não basta

O canal de Buda

O trabalho pela paz

O sorriso do Buda

O mundo muda

Por todas as pessoas

 

Com gratidão, com respeito, com admiração -- com amor.

 

 

15.04.2009

Vidamorte

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Há a xícara
cheia, vazia

Há a flor
em botão, caída

Há amor




Notas do blog
: a formidável flor flutuante acima, detalhe de uma foto-olhar da ana margarida, do exuberantemente belo blog poraresilinhas, que tanta inspiração me doa, cujo link está sempre disponível no box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela. Acesse e desfrute desta linda série de fotos.

Esta postagem é dedicada a quem é sempre dedicado todo este blog. Há um ano nos separávamos para não nos separarmos nunca mais; há um ano nos deixávamos para nunca mais nos deixarmos; nunca houve separação, você está em mim quando dobro as roupas, quando mexo o suco com a colherinha, e eu estou em você, voando por aí nas asas das borboletas e na poeira das estrelas... Obrigado.

06.03.2009

Fogo

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Algum dia, depois de termos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade, [...] utilizaremos [...] as energias do amor. Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem terá descoberto o fogo.

Teilhard de Chardin



(*) Nota do blog: a foto acima é de autoria da fotógrafa turca Zeynep Kanra, de quem pela primeira vez publiquei um dos lindos retratos na postagem Um amor eterno.Todas as postagens anteriores onde aparecem os amorosos retratos preciosos de autoria da minha amiga Zeynep podem ser acessados clicando abaixo, ao final desta mensagem, em Tags: Zeynep Kanra. Álbuns desta fotógrafa estão disponíveis em:

http://www.zeynepinyeri.com/

http://www.flickr.com/photos/zeynepk/

Obrigado.

05.03.2009

Trazer o Buda à existência

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Pessoalmente, desejo que o século XXI seja chamado de “século do amor”, porque necessitamos desesperadamente de amor, o tipo de amor que não produz sofrimento. Se não tivermos suficiente bondade e compaixão, não seremos capazes de sobreviver enquanto planeta. Nosso problemas no século XXI não são os mesmos que o Buda, seus amigos e discípulos encontraram durante as suas vidas. Atualmente, a meditação deve ser praticada coletivamente: na família, na cidade, na nação e na Sangha de nações.

Há um Buda que supostamente nascerá para nós chamado Maitreya ou Bondade Amorosa, o Buda do Amor: o Sr. Amor, a Sra. Amor. Uma Sangha que pratica bondade e compaixão é o Buda que precisamos para o século XXI. Cada um de nós é uma célula no corpo do Buda do Amor. Cada célula tem seu próprio papel a cumprir e não podemos nos dar ao luxo de perder nenhuma de nossa células. Temos que permanecer juntos. Temos o poder de trazer Sanghakaya, o corpo da Sangha, e o Buda Maitreya à existência pelo simples ato de sentarmos juntos e praticarmos profundamente.

Portanto, o próximo Buda pode não assumir a forma de um indivíduo. No século XXI a Sangha pode ser o corpo do Buda. Temos o poder de trazer o próximo Buda à existência neste século. Se sentarmos juntos e praticarmos o olhar profundo, podemos trazer o Sanghakaya e o Buda à existência. Todos nós temos o dever de trazer esse Buda à existência, e não apenas por nosso próprio bem, mas pelo bem de nossos filhos e do planeta Terra. Isto não é auto-enganação ou excesso de otimismo; isto é uma real determinação.



Thich Nhat Hanh, Eu Busco Refúgio na Sangha – Um caminho espiritual (Editora Vozes, Petrópolis, 2008)



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Notas do blog
: nas fotos acima, dois dos entendimentos possíveis do Buda Maitreya - no topo, detalhe do rosto da gigantesca estátua de Maitreya no monastério de Thiksey, que visitei em Setembro de 2008 em Ladakh, na Índia; e Thich Nhat Hanh encabeçando o rio da Sangha do século XXI, durante meditação caminhando em Plum Village, França, no Retiro de Verão de 2008, quando estiveram presentes pessoas de 45 países diferentes.

Se desejar ler mais sobre o Buda Maitryea, por favor acesse as postagens O próximo Buda e Verdadeiro Amor*

Obrigado.

20.11.2008

Atos grávidos de méritos

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Fazer o bem, empreender ações virtuosas, resulta no incremente da felicidade geral e, conseqüentemente, do bem individual. Não é demais ressaltar que tal efeito é tanto maior quanto mais espontâneo e incontaminado for o gesto original. Não é o “tamanho” da ação, mas sua qualidade que importa. Certas pessoas são capazes de grandes feitos, mas que, quando examinados em profundidade, revelam intenções particulares e mesquinhas. Por melhor que seja o efeito, não há tanto mérito. Ainda há pouco, vi uma mulher saltar para impedir que seu filho matasse um inseto com uma almofada, mas, a preocupação era apenas não sujar a almofada e não, salvar uma vida! Em contrapartida, às vezes, gestos ínfimos revelam puro amor e pura compaixão. Isso interessa: pequenos atos grávidos de méritos. Na vida, não importa quantas coisas maravilhosas você é capaz de realizar, mas, sim, quanto amor você é capaz de pôr em cada pequena coisa que realiza.



Enio Burgos, Escolhendo o Amanhã e as “Cinco Renúncias da Mente Alerta”, Editora Bodigaya, Porto Alegre, 2004


http://www.bodigaya.com.br/

07.08.2008

O bastante

Ninguém é correto em amor, ninguém jamais ama o bastante.



Jean-Yves Leloup, O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003 (edição original francesa de 1991)


(*) Nota do blog: esta frase me recorda daquela que seja talvez a postagem mais bonita que já publiquei neste blog, os dizeres de San Juan de la Cruz em A via do Amor, e Thich Nhat Hanh em Amor, sempre, postagem com a qual iniciei o bom ano de 2007.

25.07.2008

Em estado de amor

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Não devemos dizer que “amor, compaixão, alegria e equanimidade são a maneira de os santos amarem, e, como não somos santos, somos incapazes de amar assim.” O Buda e os bodhisattvas praticaram da mesma maneira que nós. No início, o amor deles estava contaminado por apego, desejo de controlar e possessividade. No entanto, graças à prática, conseguiram transformar esses venenos e alcançar um amor incomensurável, abrangente e maravilhoso.

Os ensinamentos do Buda sobre o amor são claros. É possível vivermos 24 horas por dia em estado de amor. Cada movimento, olhar, pensamento e palavra pode ser impregnado de amor. As quatro mentes incomensuráveis são concentrações (samadhi) poderosas: a concentração do amor, a concentração da compaixão, a concentração da alegria e a concentração da equanimidade. Se nos mantivermos permanentemente nessas quatro concentrações, estaremos vivendo no mais belo, pacifico e alegre reino do universo. Se alguém nos pedir nosso endereço, poderemos dizer ”vivo nas moradas de Brahma” – as mentes incomensuráveis de amor, compaixão, alegria e equanimidade. Existem hotéis cinco estrelas em que o hóspede paga muito caro por noite; no entanto, a morada de Brahma oferece mais felicidade. É um hotel cinco mil estrelas, um lugar onde aprendemos a amar e a sermos amados.



Thich Nhat Hanh, Ensinamentos sobre o Amor (Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2005)

Foto: Thich Nhat Hanh e a Sangha durante o Retiro de Verão ©Plum Village sites

20.06.2008

À Rosa

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Mais louvareis a rosa, se prestardes
ouvido à fala com que nos descreve
a razão de ser bela em manhã breve
para a derrota de todas as tardes.

Sabereis que ela mesma não se atreve
a fazer de seus dons grandes alardes,
pois o vasto esplendor de seu veludo
e as jóias de seu múltiplo diadema
não lhe pertencem: a razão suprema
de assim brilhar formosamente em tudo

é prolongar na vida o sonho mudo
da roseira – de que é fortuito emblema.




Cecília Meireles no livro Metal Rosicler, in Obra Poética - Volume Único, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1987


dedico este poema à minha madrinha em Plum Village, a querida Rosa Serrano.


Foto dos jardins de Plum Village ©Plum Village sites

http://www.plumvillage.org/

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