28.04.2006

Compaixão

Assim, constatamos que há dois tipos de amor ou compaixão. Por um lado, temos a compaixão ou amor que se baseia na afeição ou que está impregnada de compaixão. Esse tipo de compaixão ou amor e sentimento de intimidade é bastante parcial e distorcido. Baseia-se na consideração de que o alvo da afeição da pessoa é alguém muito querido ou próximo. Por outro lado, a compaixão genuína baseia-se na razão de que os outros, assim como eu, também possuem um desejo inato de ser feliz e superar o sofrimento; assim como eu, os outros também têm o direito natural de realizar essa aspiração fundamental. Com base no reconhecimento dessa igualdade e comunidade fundamental, a pessoa desenvolve um senso de afinidade e intimidade; e com base nisso, a pessoa vai gerar amor e compaixão. Essa é a compaixão genuína.




Este trecho do livro A Arte de lidar com a raiva, O poder da paciência, de Sua Santidade o Dalai Lama (Editora Campus, Rio de Janeiro, 2001), exemplifica bem as preciosas palavras que tivemos o privilégio de ouvir hoje no auditório do Anhembi, com o tema Compaixão e Sabedoria.

Mas nenhum livro é capaz de captar a maneira como essas palavras são ditas, ou menos ainda a maravilhosa presença de Sua Santidade o Dalai Lama. É muito significativo que cada preleção ele tenha encerrado com Else, I don't know, depois de tanto e tão bem falar a cada vez. Só os sábios sabem -- e dizem -- que não sabem.

E há a paz dessa presença, vasta como um oceano, e sobretudo o delicioso bom humor de Sua Santidade o Dalai Lama -- e suas risadas como uma benção! Derramei lá minhas lágrimas, mas foi rindo e sorrindo que o fiz.

Eternamente grato.

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