30.11.2006

O mundo muda

Durante os retiros de meditação, fazemos exercícios para respirar, sorrir e andar com plena consciência. O retiro cria um ambiente especial que conduz à plena consciência. Essa é a natureza coletiva desse evento. Caminhando com plena consciência, prestando atenção à respiração e praticando o sorriso, estamos cultivando nosso bem-estar pessoal. Mas, assim como o coletivo está no individual, o individual também tem um efeito sobre o coletivo. No momento em que damos um passo para a paz, o mundo muda. No momento em que sorrimos, mudamos um pouco não só nós mesmos mas os que entram em contato conosco.

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Muito embora tenhamos as melhores intenções de transformar a nós mesmos, não seremos bem-sucedidos enquanto não trabalharmos nossas energias formadoras de hábitos. A maneira mais fácil de fazê-lo é com uma Sangha, um grupo de pessoas que, juntas, praticam a plena consciência. Se nos colocarmos em um ambiente em que possamos praticar em profundidade com outras pessoas, seremos capazes de alterar nossas energias formadoras de hábitos. Pela prática da plena consciência, podemos identificar as sementes que estão em nós e reconhecer as energias formadoras de hábitos que as acompanham. Com plena consciência, podemos observar nossas energias formadoras de hábitos e começar a transformá-las.

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A prática da plena consciência nos permite criar energias formadoras de hábito novas e mais funcionais. Suponhamos que, ao ouvirmos uma certa frase, façamos uma careta. Não é que queiramos fazê-la, ela apenas acontece automaticamente. Para substituir essa antiga energia formadora de hábito por uma nova, toda vez que ouvimos aquela frase devemos respirar conscientemente. No início, o respirar consciente requer esforço. Não vem naturalmente. Entretanto, se continuarmos a praticar, a respiração consciente se tornará uma energia formadora de hábito. Da mesma maneira, criamos qualquer hábito novo. Quando você começa a escovar os dentes depois das refeições, no início, pode esquecer algumas vezes de fazê-lo. Depois de um tempo, isso se torna um hábito e você se sente desconfortável quando não os escova.

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Muitos de nós em Plum Village aprendemos o hábito de voltar à nossa respiração e sorrir toda vez que ouvimos o sino tocar. Esses hábitos positivos precisam ser cultivados, porque nossos hábitos negativos sempre nos empurram para fazer e dizer coisas que causam sofrimento a nós e aos outros.


Thich Nhat Hanh, Transformações na Consciência de acordo com a Psicologia Budista, tradução de Odete Lara, Editora Pensamento, São Paulo, 2003


http://www.plumvillage.org/

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New Hamlet Pagoda, Plum Village, France 2006

Comentários

Após partipar de um curso sobre Liderança, fui convidado pelo instrutor a tentar fazer o exercício da respairação consciente por 05 minutos diariamente. Já se passou 02 semanas e ainda não conseguir. Quando topei o desfaio não achei que seria tão difícil, mas não desiti, e vou conseguir, afinal no próximo módulo tenho que apresentar como me sentir com este exercício tão complicado no início e desafiador.

Escrito por: Gilmar | 28.09.2007

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