11.11.2006
Bodhisattvas
Isto é realmente lindo e inspirador:
Nossas aflições nada mais são do que iluminação. Podemos deslizar em paz nas ondas de nascimento e de morte. Podemos viajar no barco da compaixão e atravessar o oceano da ilusão com um sorriso destemido. À luz da interexistência, vemos a flor no lixo e o lixo na flor. É nas profundezas do sofrimento e das aflições que podemos contemplar a iluminação e o bem-estar. É exatamente na água lamacenta que a flor de lótus brota e floresce.
Bodhisattivas são aqueles que penetraram a realidade de não-nascimento e não-morte. É por isso que eles vivem dia e noite sem temos. Com essa liberdade, podem fazer muito para ajudar os que estão sofrendo. Basta estarmos no mundo do sofrimento e das aflições para que possamos nos tornar um Buda. E quando estivermos livres, poderemos passear no oceano de nascimento e morte sem medo, ajudando os que estão se afundando no oceano do sofrimento.
[...] o bodhisattva, um iluminado que tem o direito de deixar o ciclo de sofrimento para sempre, mas, em vez disso, prefere ficar, alegre e sem medo, neste mundo de nascimento, morte e aflições. Os bodhisattvas habitam o mesmo lugar que nós – o mundo de nascimento e morte, de permanência e eu. [...] Por terem essa liberdade, deslizam nas ondas de nascimento e morte em perfeita paz, capazes de permanecer no mundo das ondas enquanto habitam na natureza da água.
O jardineiro não corre atrás das flores, nem foge do lixo. Aceita e cuida de ambos. Não tem apego a um e rejeição a outro, pois vê que a natureza de ambos é a interexistência. Ele fez as pazes com a flor e com o lixo. O bodhisattva lida com as aflições e a iluminação da mesma maneira que o jardineiro habilidoso lida com as flores e o lixo – sem discriminação. Ele sabe como fazer o trabalho de transformação e, por isso, não tem mais medo. Essa é a atitude de um Buda.
Thich Nhat Hanh, Transformações na Consciência de acordo com a Psicologia Budista, tradução de Odete Lara, Editora Pensamento, São Paulo, 2003
Ao ler sobre os bodhisattvas, penso não apenas nos budistas, Avalokiteshvara, Samantabhadra; penso não somente no Dalai Lama e no Thich Nhat Hanh. Eu penso em Cristo, penso em São Francisco de Assis. E penso em Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King.
10:10 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: Thich Nhat Hanh, bodhisattva, iluminado, compaixão, interexistência, Buda, Psicologia budista

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