16.12.2006

Os vasos preciosos

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Um príncipe poderoso tinha vinte vasos de porcelana, belíssimos, que eram o seu orgulho. Guardava-os numa sala especial, onde ficava durante muitas horas a admirá-los.

Um dia, sem querer, um criado quebrou um dos vasos. O príncipe, enfurecido e inconsolável com a perda do precioso objeto, condenou à morte o desastrado.

Nessa ocasião, apresentou-se no palácio um velho sábio que se propôs a consertar o vaso de maneira a ficar perfeitamente igual aos outros, mas, para isso, precisava ver todos juntos. A sua proposta foi aceita.

Sobre uma mesa coberta com riquíssima toalha estavam os dezenove vasos enfileirados. Aproximando-se, o sábio, como se estivesse enlouquecido, puxou com violência a toalha e os vasos tombaram ao chão, em pedaços.

O príncipe ficou mudo de cólera, mas antes que ele falasse, o sábio, tranqüilamente, explicou:

-- Senhor, estes dezenove vasos poderiam ainda custar a vida a dezenove infelizes. Assim, dou por estes a minha, porque, velho como sou, para nada sirvo.

Refletindo, o príncipe compreendeu que os vasos do mundo, por mais belos e preciosos, não valiam a vida de um ser humano.

Perdoou o sábio e também o servo desastrado.


(Malba Tahan)


texto retirado de Paz Como se Faz?, semeando cultura de paz nas escolas, de Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman - Rio de Janeiro: Governo do Estado do Rio de Janeiro, UNESCO, Associação Palas Athena, 2002.
Para fazer gratuitamente o download desta cartilha de Cultura pela Paz, por favor visite a página de abertura da Associação Palas Athena em:

http://www.palasathena.org/

(photo: A large rare form Meijii period porcelain vase decorated in underglaze blue and mauve with Mount Fuji, its crest sculpted in low relief and rising above a mountainous landscape, Makuzu Kozan I signature cartouche on base; height 171/4 inches, diameter at shoulder 15 inches/ ©Courtesy Flying Cranes Antiques)

Comentários

Até onde li. Estou gostando muito

Escrito por: Ednaldo | 29.12.2006

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