31.10.2008

Ir para a luz

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É da profundidade de suas raízes e na escuridão que a árvore obtém sua segurança quando se trata de ir para o alto e de apresentar seus frutos na luz...



Jean-Yves Leloup em sua autobigrafia O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003 (edição original francesa de 1991)


(*) Nota do blog: A bonita foto acima é da autoria de Rick Gunn; que muito me inspirou e encorajou com seu relato de viagem chamado Wish Tour, quando este fotógrafo percorreu mais de 15 mil milhas de bicicleta ao redor do mundo. Coincidentemente, entre os países visitados por ele estão os quatro que nessa viagem eu próprio visito... Sua página, onde há mais fotos, pode ser visitada através do link:
http://www.rickgunnphotography.com

28.10.2008

Praticando

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O dentro é o fora
-- dizia-me um amigo.
Belas ou feias
as paisagens são mentais
-- cegas, todas.




(*) Nota do blog: Seja na aversão pela Índia, seja no apego pelo Mediterrâneo, durante toda esta viagem praticar equanimidade tem me parecıdo ser o caminho da felicidade -- e tenho me recordado de um dos melhores conselhos que ouvi na vida: não compare, pois quem compara não enxerga... e desde alguns dias encontro-me no meu canto preferido deste planeta, o Mediterrâneo (desta vez na Turquia, em Antalya) e então tento não ser tão feliz assim...

25.10.2008

A partida

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Amiga dália nos deixa
Cascata branca
Pétalas finas.

24.10.2008

Passo a passo

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Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te
.


Rumi


Foto© Oriental Travels

19.10.2008

Uma lágrima no meu coração

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Manhã

Há o Sol que chegou cedo à montanha ventosa
e a alva roupa translúcida que os lavadeiros abrem no ar.

Há o som de suas conversas, matinal, risonho, límpido.

Há a crespa voz das águas com mil anéis para mil dedos.

Há a minha vida sob cortinados,
e a sensação da fresca manhã lá fora.

Há minha alma cheia de amor, num mundo que não me pertence.

Há uma saudade secular de infâncias, ternura, humanidade.

Há um desejo de aqui ficar para sempre, sob os cortinados de tule,
vendo o mosquito escrever seu zumbido com finos traços,
ouvindo lá fora os lavadeiros, com suas cordas, suas historias,
sentindo o vento levantar para o céu nuvens de roupas...

Unidade, alegria, festa, inocência do mundo.

Manhã clara.
Vozes alegres.
Vento dançarino.

E uma lágrima no meu coração
triste e feliz.



Cecília Meireles, Poemas Escritos na Índia, in Obra Poética - Volume Único, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1987

17.10.2008

Quebrar essa arrogância

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Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver.

Amyr Klink


(*) Nota do blog: Tem sido o mote da minha viagem, o trecho acima, que chegou-me através do Darma online, a comunicação semanal do blog Sanga Virtual, blog da Sangha Viver Consciente do Rio de Janeiro, para estudos budistas na tradição do verenável mestre zen Thich Nhat Hanh. Para receber o Darma on line você pode se inscrever no blog Sanga Virtual, cujo link está aqui sempre disponível, na coluna à direita da sua tela, no box Fraternidade de blogs. Desfrute também desta que tem sido minha constante fonte de alegria e inspiração, principalmente nestes meses na India, talvez a viagem mais difícil que fiz na vida, país que consegue de fato quebrar essa arrogância... Nunca sei se estarei vivo ao final de uma viagem nos onibus delapidados pelas estradas escabrosas, quando todos parecem dirigir como inimigos mortais -- e quando descrevo a India como incrivelmente barulhenta, imunda, poluida, caotica, confusa, fora de controle -- percebo que estou descrevendo minha propria mente... Por menos que goste deste país, ele tem me trazido insights sobre minha mente e como ela filtra e distorce a realidade, impedindo-me de ver o que simplesmente é, e proporciona-me a oportunidade de praticar equanimidade durante o dia todo, todos os dias...

Foto: viagem de onibus pela India, al fresco...

16.10.2008

Uma tarde

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da sombra desta colina
para o sol no vale
voa aquele falcão
este corvo fica





15.10.2008

A atitude mental


A prática perfeita do budismo não é alcançada meramente através de mudanças superficiais, como por exemplo através da adoção de uma vida monástica e da recitação de livros sagrados. Ainda está aberta a questão de saber-se se essas atividades, por si mesmas, devem ser denominadas religiosas ou não; pois a religião deve ser praticada na mente. Se a pessoa tem a atitude mental correta, todas as ações do corpo e da linguagem podem tornar-se religiosas. Mas se falta a atitude correta, se a pessoa não sabe como pensar adequadamente, nada alcançará, mesmo que passe a vida inteira em monastérios e lendo as escrituras. Assim, a atitude mental correta é a primeira coisa essencial. A pessoa deve tomar as Três Jóias – Buda, Dharma e Sangha – como seu refúgio final; deve observar as leis de Karma e seus frutos; e deve cultivar pensamentos em benefício de outros seres.

Se a religião é seriamente seguida, renunciando ao mundo, isto traz grande alegria.
[...] A soma total do prazer mundano, ganho através do motivo do auto-amor e da luta para satisfazer esse amor, não é comparável a uma fração daquele. [...] Contudo, essa grande renúncia ao mundo não é possível a todos, porque são grandes os sacrifícios que exige.

Que espécie de Dharma, que espécie de religião, podem então ser prescritas para as pessoas que seguem os caminhos comuns da vida? Atividades mundanas imorais têm, naturalmente, de ser excluídas; essas atividades nunca foram compatíveis com qualquer religião.
[...] A salvação pode ser alcançada, se a pessoa sinceramente a procura, levando apenas uma vida doméstica. Mas há um dito: “As pessoas que não fazem esforço mental, mesmo que permaneçam em refúgios nas montanhas, como animais hibernando em suas tocas, acumulam apenas causas para descerem ao inferno.”


Sua Santidade o 14º Dalai Lama, Minha Terra e Meu Povo (Editora Palas Athena, São Paulo, 1988)

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Foto: o Dalai Lama em sua residência no exílio, em Dharamsala, Índia © Times/CNN ( cidade onde estou faz alguns dias...)

13.10.2008

saudades

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thank you, dearest Tijen, thank you.

10.10.2008

Ele dirige tudo para ti

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Enquanto a compreensão permanece na cabeça, tua meditação se desvia para o genérico. O coração, pelo contrário, atinge o particular, o que se refere a ti próprio. Sem qualquer rodeio nem desculpa, ele dirige tudo para ti pela via mais eficaz, a que te atinge mais profundamente. Experimentas diretamente teus próprios erros e fraquezas, assim como as luzes ou sombras das coisas.


conselho dos antigos monges cristãos, retirado de Das immerwährende Herzengebet, textos originais russos, coligido e traduzido por A. Selawry; citado por Anselm Grün em Oração e Autoconhecimento, Editora Vozes, Petrópolis, 2007

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