27.11.2008
Beber água
Que maravilha
Que mistério
Respiro
Bebo um pouco d’água.
(ditado zen)

Foto: bica d'água ©João Espinho
15:44 Escrito em Águas/Water | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: zen, água, consciência
22.11.2008
Em casa

Paz a cada passo.
A cada passo, Paz.
Eu cheguei.
Estou em casa.
Para o Retiro de Inverno em Plum Village, por tres meses.
Obrigado pelo apoio, obrigado pelo amor.
Foto: Sweet Mango Photography
14:09 Escrito em Bússola/Compass | Permalink | Comentários (5) | Enviar por e-mail
20.11.2008
Atos grávidos de méritos

Fazer o bem, empreender ações virtuosas, resulta no incremente da felicidade geral e, conseqüentemente, do bem individual. Não é demais ressaltar que tal efeito é tanto maior quanto mais espontâneo e incontaminado for o gesto original. Não é o “tamanho” da ação, mas sua qualidade que importa. Certas pessoas são capazes de grandes feitos, mas que, quando examinados em profundidade, revelam intenções particulares e mesquinhas. Por melhor que seja o efeito, não há tanto mérito. Ainda há pouco, vi uma mulher saltar para impedir que seu filho matasse um inseto com uma almofada, mas, a preocupação era apenas não sujar a almofada e não, salvar uma vida! Em contrapartida, às vezes, gestos ínfimos revelam puro amor e pura compaixão. Isso interessa: pequenos atos grávidos de méritos. Na vida, não importa quantas coisas maravilhosas você é capaz de realizar, mas, sim, quanto amor você é capaz de pôr em cada pequena coisa que realiza.
Enio Burgos, Escolhendo o Amanhã e as “Cinco Renúncias da Mente Alerta”, Editora Bodigaya, Porto Alegre, 2004
http://www.bodigaya.com.br/
09:59 Escrito em Amor/Love | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: amor, ações virtuosas, fazer o bem, enio burgos, escolhendo o amanhã
17.11.2008
Istanbul!
Nesta cidade maravilhosa, uma das mais lindas do meu planeta, o coracao parece ampliar-se ... Ao chegar perto do Bosforo, sinto que corro o risco de perde-lo, pois parece vai romper-me o peito e como um passaro sair voando por entre os minaretes... Ah!

Eh um grande privilegio poder caminhar por estas ruas em companhia da minha amiga, a fotografa Zeynep Kanra, tendo por guia seu olhar atento e amoroso... Ah!

Para ver mais fotos desta cidade magica e sua personagens pelas lentes sensiveis da Zeynep, clique em:
http://www.zeynepinyeri.com/hosgeldiniz/istanbul/index.html
http://www.zeynepinyeri.com/hosgeldiniz/2007/08/index.html
Inspirando, expirando, estamos todos sempre juntos.
Obrigado.
13:13 Escrito em Compartilhando/Sharing | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: zeynep kanra, istanbul, turquia
13.11.2008
Chamado
O passo brusco
Brisa
Folhas fibrilando
Pássaros piando
estanco:
a Paz
10:55 Escrito em Bússola/Compass | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
09.11.2008
Generosidade

Sorria a Generosidade.
Respire a Generosidade.
Viva a Generosidade.
Seja a Generosidade.
10:55 Escrito em Bússola/Compass | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: Generosidade
08.11.2008
Dois homens e a borboleta

Dois homens viajavam juntos em pleno sol de verão. Eles iam aonde vão os peregrinos perpétuos: sempre em frente. Perto do meio dia, depois de caminhar muito desde o amanhecer, resolveram parar para comer e descansar à sombra de um grande carvalho, à beira de uma campina. Almoçaram um pedaço de pão e um copo de vinho. Depois um deles se estendeu sobre a relva, com o chapéu sobre os olhos, as mãos cruzadas sobre o ventre e dormiu.
Então, de dentro de sua boca aberta, seu companheiro viu sair uma borboleta azul. Voando em círculos crescentes a borboleta foi visitando arbustos e flores, até se dirigir para um crânio de cavalo que estava sobre a relva, a certa distância dali.
O homem sentado não perdeu um só dos movimentos da borboleta, que entrava e saía mil vezes daquele crânio, entrando por um olho, saindo pelo outro, depois desaparecendo no fundo das órbitas para reaparecer por entre os dentes, em rápidos volteios incessantes, até finalmente afastar-se e voltar outra vez a voar em círculos em torno da cabeça do homem que dormia e entrar pela sua boca adentro. Nesse momento o homem acordou, esfregou os olhos e disse para o amigo enquanto se espreguiçava longamente:
Acabo de ter um sonho muito agradável. Eu estava em um palácio magnífico, brilhante, maravilhoso. Eu visitava todos os seus aposentos, corria ao longo dos corredores, subia em seus andares mais altos que tinham o teto abobadado como as igrejas, depois descia a seus porões profundos. Este palácio era meu. E eu estava maravilhado porque ele tinha sido construído sobre um imenso tesouro escondido sob suas muralhas.
Foi então que o outro lhe respondeu:
- Você quer que eu diga onde é que você esteve durante seu sono? Está vendo aquele crânio de cavalo que está brilhando ao sol? Foi para lá que você foi. Eu vi seu espírito sair pela sua boca na forma de uma borboleta azul. Ela visitou todos os lugares daquele crânio, do fundo do olho até os dentes e depois voltou para dentro da sua boca. Agora, se você quiser acreditar em mim, vamos fazer um buraco sob as muralhas deste palácio, para ver se o olho do sonho é mesmo clarividente.
Eles levantaram o crânio, cavaram a terra onde ele estava depositado e descobriram o tesouro escondido. Um imenso tesouro: lá havia TUDO, tudo o que um homem pode sonhar.
Extraído de El Caballo Magico, de Idries Shah; do blog http://www.sertaodoperi.com.br
12:25 Escrito em Clássicos/Classics | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: sufi, broboleta, sonho, Idries Shah
03.11.2008
Amigo das estações

“Algo” vive no meu corpo. Vamos chamá-lo de “pequeno monge, cujas vestes flutuam ao vento”. Mas será realmente o agitar das suas vestes ao vento o que estamos querendo significar? Esse rapaz dedicou-se durante muito tempo a compor poemas curtos. Ao final, transformou essa tarefa da meta da sua vida. Às vezes ele se arrepende e tem vontade de desistir, outras é arrebatado pelo entusiasmo e sente a ambição de superar os demais na execução dessa tarefa. Esses sentimentos surgem um de cada vez, e lutam em seu peito, resultando em inquietação. Há momentos em que ele deseja obter um trabalho no mundo externo, porém este “algo” o restringe. Em outros momentos, ele alimenta o desejo de seguir os ensinamentos zen, de modo a iluminar sua ignorância; mas também aqui “algo” o impede de seguir esse ímpeto. E assim ele permanece inapto e incompetente, além do fato de permanecer constantemente atado a um Caminho.
O mesmo Caminho que Saigyõ buscou nos seus poemas, que Sogi procurou na sua poesia-acorrentada, que Sesshu tentou descobrir nos seus desenhos a nanquim e Rykyu na sua Cerimônia do Chá é o único Caminho atuante em todas as suas obras. E quem ama esse caminho segue as leis da natureza e torna-se amigo das estações. Tudo o que vê são flores. Tudo o que sente se torna a lua. Quando seu coração não se abre em flores, ele é como um bárbaro. Quando seu sentimento não desabrocha em flores, ele se assemelha a um animal. Afasta o bárbaro, separa-te do animal, segue a lei da natureza, retorna a ele.
Matsua Bashô, em seu diário de viagem U-tatsu-kikõ
em O Zen na Arte da Cerimônia do Chá, Horst Hammitzsch, Editora Pensamento, São Paulo, 1997
14:25 Escrito em Bússola/Compass | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: zen, caminho, Rykyu, Matsua Bashô, O Zen na Arte da Cerimônia do Chá, Horst Hammitzsch
01.11.2008
Remix

Quem responde ao chamado para a oração?
Soa o muezın, o mundo não pára para ouvir.
No café ao ar livre, a batida eletrônica:
Allah involuntariamente remixado nos meus ouvıdos
soa puro no meu coração.
18:57 Escrito em Trilha sonora/Soundtrack | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail