29.04.2009
Eu, você

Você é eu, e eu sou você.
Não é óbvio que nós "intersomos"?
Você cultiva a flor em você mesmo
para que eu seja belo.
Eu transformo o lixo que há em mim
para que você não tenha de sofrer.
Eu apóio você,
você em apóia.
Estou neste mundo para oferecer-te paz;
você está neste mundo para trazer-me alegria.
Thich Nhat Hanh
Notas do blog: poema Interrelationship traduzido a partir de Call me by my true names, The collected poems of Thich Nhat Hanh, Parallax Press, 1999; foto Thich Nhat Hanh ©Iara Sylvain
Há mais duas novas postagens com muitas fotos no blog Compartilhando Plum Village, sobre os monastérios do Upper Hamlet e do Lower Hamlet, em Plum Village, e os trabalhos que antecederam o Retiro de Verão de 2008. Desfrute!
11:02 Escrito em Poesia/Poetry | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hanh, interser, adubo, flor, transformação, meditação, plum village
28.04.2009
Devagar

¡NO corras, ve despacio,
que adonde tienes que ir es a ti solo!
¡Ve despacio, no corras,
que el niño de tu yo, reciennacido
eterno,
no te puede seguir!
Juan Ramón Jiménez (1881-1958)
Notas do blog: este poema aparece em Juan Ramón Jiménez para niños; se desejar ler alguns trechos desse livro, por favor clique aqui.
Cantava-me este poema lá em Plum Village o querido Pháp Banh, e agora me recordo dele para ajudar a cuidar do Buda bebê em mim, da minha vaga plena consciência, da prática da paz a cada passo, de nutrí-lo, preservá-lo, ajudá-lo a crescer na alegria e clareza...
10:47 Escrito em Poesia/Poetry | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: juan ramón jiménez, ¡no corras, pháp banh
27.04.2009
Ternura fatigada

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade
Notas do blog: para acompanhar o poema O Silêncio (Obscuro Domínio, Editora Fundação Eugénio de Andrade, Porto, Portugal), um registro de Ocean (barco de madeira modificado, leite, projeção de slides de estrelas, 127 x 274 x 69cm, 1995) trabalho original de David Johnson, cuja bela trajetória e obra pode ser vista acessando o site oficial:
http://david-johnson.co.uk/index.html
Para ler mais deste poeta português, por favor acesse:
http://paraserzen.blogspirit.com/tag/Eug%C3%A9nio+de+Andr...
Obrigado, Lécio!
12:43 Escrito em Poesia/Poetry | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: eugénio de andrade, david johnson, silêncio
26.04.2009
Janelaespelho

ao invés desta tela
olho pela janela
vejo o espelho
do meu olhar sobre o mundo
que a cada segundo nasce
(e o eu com ele)
Nota do blog: acima, pecadillo meu sobre a foto de David Johnson, Magritte's window (1980), 102 x 153cm; para ver o original por favor acesse http://david-johnson.co.uk/item22.html
Esta postagem espelha outras mais antigas, como os ensinamentos de Chagdud Tulku Rinpoche em Mente espelho, de Jean-Yves Leloup citando São João Cassiano em Vigilância: o espelho limpo, e de Chögyam Trungpa em O espelho cósmico.
Costumo publicar fios de postagens como rios de consequência, intuindo que o que antes era aprendizado torna-se vivência, ao decantar e tocar profundo, ou talvez ao libertar-se e voar bem alto... Desfrute dos fios deste blog que é um caminho há muito caminhado, feito passo após passo após passo -- o caminho e a poeira do caminho, adiante e detrás, neste instante, o caminhante e a sombra do caminhante (para onde ela vai, quando o caminho está nublado?), o caminhar e os passos, nada existe por si só -- vão intersendo.
08:03 Escrito em Dharma Journal | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: tela, janela, espelho, david johnson, magritte's window
25.04.2009
Livro Três
O seu atordoamento pode me atordoar. Ele me atordoa, e se torna nosso. O meu atordoamento pode te atordoar. Então eu procuro me pacificar -- para que a paz se torne nossa. Não quero espalhar confusão, ansiedade, medo -- já o há bastante, parece que é o que mais as pessoas têm para dar.
Como nos ensina Thich Nhat Hanh, "você cultiva a sua flor para que eu possa ser belo; eu transformo o meu adubo para que você não tenha de sofrer". Mas a maioria das pessoas não vive assim, e espalha por aí o próprio sofrimento, que não sabe transformar.

Uma amiga me aconselha a abrir um livro de que gosto muito em qualquer página, e ler ali a mensagem que há para mim.
Escolho Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do Buda.
Abro nas páginas 294 -- que está vazia -- e 295, onde só está escrito LIVRO TRÊS.
Há uma parte que se encerra em silêncio, outra parte que em silêncio se inicia.
É o que há para mim.
É também o que me diz a citação de Milarepa que encontro no querido blog samsara:
O mundo ao redor é o melhor de todos os livros;
Não preciso ler um livro em preto e branco.
foto ©Abelardo Morell
11:53 Escrito em Dharma Journal | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hahn, milarepa, sofrimento, ansiedade, meditação, prática, transformação
24.04.2009
euinho

Eles passarão
eu passarinho
Mário Quintana
Dedico esta postagem ao querido Pháp Banh -- que nunca acessa a internet...
Com amor.
10:36 Escrito em Espaço Silêncio/Silence Room | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: mário quintana, passarão passarinho
23.04.2009
Silêncio remixed

Depois de O Grande Silêncio (um still do filme, acima), e do pequeno silêncio de ontem, um pouco de palavras hoje -- clicando nos links abaixo:
- Só peço silêncio
- Peço silêncio, sim
- Um silêncio disciplinado
- Palestra silenciosa
- Esta paz nesta solidão
Se desejar mais silêncio, acesse ainda outras postagens clicando aqui.
Numa breve pesquisa nos arquivos do paraserzen, dei-me conta de que silêncio é dos temas mais frequentes.
Sempre que desejar, há o Espaço Silêncio, em Categorias, na coluna à esquerda da sua tela.
10:08 Escrito em Espaço Silêncio/Silence Room | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: silêncio
21.04.2009
O grande silêncio

Quer ouvir o silêncio?
Então dedique algumas horas deste seu feriado, torne-as preciosas e assista a O Grande Silêncio, documentário praticamente sem diálogos, sobre o cotidiano dos monges do mosteiro da Grande Cartuxa em Grenoble, nos Alpes Franceses. Para filmar no mosteiro, o documentarista Philip Gröning aceitou as condições impostas pelos monges cartuxos -- ausência de comentário, narração, depoimentos (o que dizer dos gestos, dos olhares, dos closes, e sim, há um depoimento no final) e trilha sonora (para quê, se eles atravessam o filme cantando lindamente?) --, após quase 20 anos de espera pela autorização. O resultado são imagens de "deslumbrante simplicidade", poéticas e fortes. Devoção, contemplação, trabalho, disciplina. É um filme maravilhoso, um milagre de beleza a cada plano, e está disponível para ser assistido on-line (já que não se encontra em dvd no Brasil) através do link:
http://www.webislam.com/?idv=491
Se desejar saber mais sobre o filme, acesse o belo site oficial em http://www.diegrossestille.de/english/
Se desejar saber mais sobre a Ordem dos Cartuxos, monges contemplativos, filhos e filhas de São Bruno, o Solitário, por favor acesse:
http://www.chartreux.org/pt/frame.html
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura de Portugal traz diversos artigos interessantes relacionados ao filme e à Ordem Cartuxa, como o Viagem à casa dos "últimos homens que sabem escutar", e uma entrevista com o diretor Philip Gröning, acesse aqui.
Desfrute! Obrigado.
10:31 Escrito em Filmes/Movies | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail | Tags: o grande silêncio, philip gröning, grande cartuxa grenoble, cartuxos, são bruno
20.04.2009
Anos e anos

[...] todas as tradições insistem sobre a firme necessidade de prolongar-se e sobre a fidelidade aos engajamentos que cada um se propõe. Não se trata de brincar de monge e de ir ao monastério como se vai à praia. Não se trata de se divertir, mas de retornar ao Essencial. Quando tantos homens e mulheres passam anos e anos nos bancos da escola e das universidades para aprender coisas mais ou menos úteis, parece razoável consagrar pelo menos alguns anos à procura “do que é verdadeiramente” e, antes de morrer, não é ridículo procurar conhecer-se a si mesmo.
Jean-Yves Leloup, O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003 (edição original francesa de 1991)
Notas do blog: foto dos monges na praia for the first time©kevin o'sheehan; isto, eu também aprendi com você... Obrigado.
11:47 Escrito em Percursos/Courses | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: caminho espiritual, conhecer-se a si mesmo, jean-yves leloup, o absurdo e a graça
19.04.2009
Delicadeza, força
Gostaria de compartilhar meu cântico preferido, dos que em Plum Village temos -- a invocação do nome de Avalokiteshvara. Muito simples, como tudo o mais em Plum Village, porém muito poderoso -- delicadíssimo, dulcíssimo e fortíssimo -- profundamente curativo, eu diria.
Esta gravação foi feita durante a visita de Thich Nhat Hahn ao Instituto Europeu de Budismo Aplicado, na Alemanha (leia mais aqui...), em Novembro de 2008, e o mostra sentado ao sino conduzindo a energia e o cântico, executado pela sangha monástica de Plum Village, parte dela agora residindo no Instituto... Ao assitir o vídeo e não encontrar no coro alguns dos residentes, não posso deixar de pensar que alguns estarão ocupados na cozinha preparando a refeição dos praticantes do retiro, outros organizando a programação das atividades... Uns oferecem o cântico, outros seu trabalho, e todos em plena consciência desfrutam do que fazem... Desfrute você também!
Dedico esta postagem às queridas Geralda e Yara, que compartilharam comigo as primeiras duas semanas do Retiro de Verão de 2008 em Plum Village. Se desejar um pouco mais de delicadeza no seu domingo, no seu feriado, por favor clique aqui.
Obrigado.
12:07 Escrito em Trilha sonora/Soundtrack | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hanh, plum village sangha, monásticos, cânticos, avalokiteshvara, namovalokiteshvara, delicadeza