10.06.2009

Não ter nada

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Por vezes chega-se a desesperar porque o desejo do belo e do verdadeiro está ferido por contrários muito vivos. Continuar fiel, apesar de tudo, a este desejo, em uma fé que não exclui a dúvida, mas que a cada dia aprende a superá-la, faz de nós místicos... não religiosos, menos ainda fanáticos, mas céticos que aprenderam a duvidar de suas próprias dúvidas, diante da evidência de um Real que sem cessar lhes escapa e transcende... Muito nomeá-lo seria, sem dúvida, reduzi-lo ou querer tranqüilizar-se, mas não tender para ele seria entravar-se, ou mesmo morrer.

Foi nesse sentido que Malraux pôde dizer: “O século XXI será místico ou não será.”


[...] O crente que não sabe duvidar não do Absoluto, mas de si mesmo, é perigoso. Ele se servirá de um Deus ou de uma verdade que ele “tem” para sujeitar e dominar aqueles que “não têm”.

O místico não “tem” nada.

Jean-Yves Leloup, O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003 (edição original francesa de 1991)

 

 

Notas do blog: para ver mais fotos do álbum ao qual pertence a foto acima, por favor acesse este link.

Em outros tempos, o paraserzen esteve de mãos cheias, outras vezes vazias: veja aqui, ou aqui, e aqui, aqui, aqui, aqui. Mais recentemente, de mãos atadas, tentado libertar-se...

 

 

Comentários

Caro Marcelo:
Confesso que tenho muito a agradecer a vc e a Denise Kato pela compaixão que recebi de ambos durante os últimos tempos. Anseio por conhece-los no retiro que teremos com os monges de Thay em setembro aqui no Rio. Pena não poder ir a Sampa tb.
Os textos que você tem postado de Jean-Yves Leloup, autor que muito admiro, têm me tocado a alma!!
Para mim, é muito difícil não me “rebelar” pelos contrários que contrariam meu desejo pelo belo e pelo verdadeiro.
Mas como isso é um fluxo da vida, muitas vezes (embora não sempre)...tento seder ao fluxo da vida...
Se estou mais místico??
_sinceramente não o sei!! Mas estou mais humilde...
Não sinto mais vontade de provocar sua imensa capacidade cognitiva!!...de verdade!
Quero abraça-lo quando o vir. E à Denise também.
Ao longo desse tempo todo que tenho acompanhado o “PARA SER ZEN” , tenho me quebrantado e me beneficiado.
Obrigado a ambos
Carinho
Namaste.
RogérioJean-Yves Leloup

Escrito por: Rogério | 10.06.2009

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