11.06.2009

Rompe a tela deste doce encontro

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Para a alma que não está preparada tudo se emprega em dispor do espírito, e mesmo depois disto, o fogo ainda custa a atear-se na madeira, seja por causa da muita umidade dela, seja pelo calor insuficiente, ou por ambos os motivos. Naquela, porém, que já está disposta, a ação do amor penetra  em momentos, pois a cada contacto dele a centelha se inflama na madeira já seca. Eis por que a alma deseja mais a brevidade do romper, do que o tempo de cortar e acabar. A quarta (*) é para que se acabe mais depressa a tela da vida. Com efeito, para cortar e acabar alguma coisa, age-se com mais detença esperando que esteja sazonada ou acabada, ou qualquer outra condição: mas para romper, parece que não se espera o tempo adequado nem outra circunstância alguma.


San Juan de la Cruz, A Chama Viva do Amor, tradução de Frei Patrício Sciadini O.C.D., Edições Carmelitanas, São Roque

 

(*) Notas do blog: refere-se às estrofes -- "San Juan de la Cruz explica em texto, a pedido de Dona Ana Peñalosa, os versos das Canções que ele mesmo compôs, em 1584, que tratam da mais íntima e subida união e transformação da alma em Deus" (nota de Frei Patrício Sciadini O.C.D.).

San Juan de la Cruz está entre meus autores preferidos, e das mais frequentes presenças neste blog. Por favor acesse outras postagens de belas fotos e sublimes palavras, com mais links, inclusive para um filme, clicando aqui.

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