15.06.2009

Quando se deixa encontrar

Siddhartha_and_Jesus_by_DonMak-1.jpg



Graf Dürckheim [...] me disse:

-- É minha prática desde muitos anos. Na postura zen, que eu preconizo, se está nas melhores condições para invocar o Nome de Jesus. O Nome d”Aquele que É”: “Eu Sou”... Não digo isso de modo sempre explícito, isso é uma graça que cada um pode descobrir quando se deixa encontrar... Não somos nós, com efeito, que procuramos Deus, é Deus que nos procura...

Como eu me aventurasse a retrucar:

-- Mas invocar o Nome de Jesus durante a postura silenciosa não significa trair o zen? Não é preciso guardar pura a vacuidade?

Ele olhou-me sorrindo, sabendo que ressonância essas palavras podiam ter em mim (no dia anterior, havíamos evocado Mestre Eckhart!).

-- Não foi Jesus que nos conduziu ao perfeito silêncio, à pura vacuidade que está no seio do Pai? Não procure demais explicar tudo isso, não tenha medo do silêncio puro para onde o conduz a invocação do Nome de Jesus, porque ele o conduz mais seguramente do que quando você quer fabricar o vazio com seu pequeno eu místico!

 

Jean-Yves Leloup, O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003 (edição original francesa de 1991)

 

Notas do blog: este diálogo é, basicamente, uma boa explicação não-budista para a prática de apranihita; acima, Sidarta e Jesus, ilustração de Don Mak (site maravilhoso deste excelente ilustrador, cheio de histórias e insights, desfrute!), que colhi no blog El Gran Cambio do querido Ernesto Morales (cujo link encontra-se disponível no box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela), juntamente com o insight que gosto sempre de lembrar: Buda não era budista, Jesus não era cristão.

Dedico esta postagem aos queridos Carla e Kiko.

Comentários

Há uma identidade clara entre os seres iluminados, muito além de quaisquer fronteiras criadas pela instituição da fé. Jah Rastafari !

Escrito por: Cebola | 15.06.2009

Agradeço a você pelo compartilhar diário de tantas inspirações preciosas!
Luz e paz em seus instantes e nos instantes de todos que passam por aqui

Escrito por: Patricia | 15.06.2009

querido Marcelo,
obrigado pela dedicatória.
Somos todos irmãos, filhos do Uno!
Sempre ao seu lado, Marcelo querido.
KIKo

Escrito por: kiko | 16.06.2009

Que surpresa linda esta dedicatória !
Estou muita grata de ser lembrada neste post ... pelas sementes que moram dentro de cada um de nós deixadas pelos nossos mestres Buda e Jesus.
Você é muito querido !!!

Carla.

Escrito por: Carla | 17.06.2009

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