19.06.2009

O nascimento da borboleta

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Esta experiência é única. Nela ocorre algo que nunca poderemos esquecer e que não poderemos também explicar. [...] Em um itinerário espiritual, deve-se fazer desta experiência uma oportunidade de iniciação. Não considerá-la como algo que jamais se reproduzirá ou como uma graça maravilhosa que queremos que se repita a todo instante. Porque esta experiência é uma revelação de nossa natureza verdadeira.

[...] São momentos em que, efetivamente, a paz dura um pouco mais e onde, no interior de nossa mente, o silêncio torna-se algo real. [...] é preciso acolher estes momentos gratificantes com gratidão, mas, ao mesmo tempo, não se apegar a eles e não procura-los. [...] Porque, se nós nos apegamos a estes momentos, se quisermos reencontrá-los sem cessar, em lugar de nos ajudarem a avançar, eles nos param, nos bloqueiam, fazendo-nos entrar em uma espécie de complacência com eles. [...] A vida, porém, é uma grande mestra e se encarrega de tirar nossas ilusões.

[...] E o sinal de que a experiência numinosa realmente nos tocou é que não podemos mais viver da mesma maneira que antes. [...] Porque podemos ter tido experiências maravilhosas e magníficas, mas concretamente, em que elas mudaram as nossas vidas? O que mudou em nossa vida cotidiana? Dessa maneira, podemos ter necessidade de uma prática, de um método em nosso itinerário.

[...] ao final de um itinerário espiritual não sobra muito da imagem que se tinha de si mesmo no início do processo. É como se houvesse uma morte de si mesmo. Mas esta morte não é o fim. O que alguns chamam de morte da lagarta, outros chamam de nascimento da borboleta.

 

Jean-Yves Leloup em Terapeutas do Deserto (com Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis, 2002)

 

Nota do blog: só gostaria de compartilhar o melhor conselho que ouvi em toda a minha vida, e que pela primeira vez ouvi claramente da Lia Diskin, da Associação Palas Athena, e que depois ouvi de muitos outros mestres: Minha gente, hay que praticar.

É este o caminho.

Comentários

Caríssimo, ...
Terapeutas do Deserto,
e com Leonardo BOff...
"...São momentos em que, efetivamente, a paz dura um pouco mais e onde, no interior de nossa mente, o silêncio torna-se algo real..."

E por sequência, praticar.

Muito bem chegado este escrito, ... sim, a borboleta!

Escrito por: carmen regina | 14.06.2010

Voce nem imagina como me ajudou com estas palavras!!!
Principalmente com esta passagem aqui olha: "Porque, se nós nos apegamos a estes momentos, se quisermos reencontrá-los sem cessar, em lugar de nos ajudarem a avançar, eles nos param, nos bloqueiam, fazendo-nos entrar em uma espécie de complacência com eles. [...]"

Estava tao apegada a ideia de reabilitar meu sistema nervoso parassimpatetico... mas tao apegada que estava beirando a obssessao. Como eh dificil se render a Vida!!! Como diz o Joseph Campbell: "We must let go of the life we have planned, so as to accept the one that is waiting for us."

Para mim eh tao dificil desistir de planejar a minha vida e me render a vida que esta la esperando por mim!!! Me entregar ao processo de transformacao, confiar nele, puxa como eh dificil para mim!!!

Obrigada por estas palavras que me trazem Paz.

Escrito por: Lazia | 06.03.2011

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