17.02.2009

Nesse seu lugar eu o vi

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Cruz e cristãos, do final ao final, examinei. Ele não estava na Cruz. Fui ao templo hindu, ao pagode antigo. Em nenhum lugar havia qualquer sinal. Às alturas do Herat eu fui, e a Kandahar. Procurei. Ele não estava nas alturas nem na planície. Resolutamente fui ao topo da Montanha de Kaf. Lá só havia o lugar do pássaro ‘Anqa. Ele não estava lá. Perguntei de seu estado a Ibn Sina: ele estava além dos limites do filósofo Avicenna. [...] Procurei no meu próprio coração. Nesse seu lugar eu o vi. Ele não estava em outro lugar.

Rumi


citado por Nicholas Shrady em Caminhos Sagrados - Aventuras de um Peregrino, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1999

Foto ©Fritz Fabert

11.02.2009

A viagem conduzirá

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Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.



Rumi


Foto: os degraus da entrada de uma sala de meditação em Plum Village ©Plum Village Sites

30.01.2009

Uma mente livre

Os buscadores religiosos sempre foram lembrados de que precisam abandonar todos os seus conceitos a fim de experimentar diretamente a realidade, desde os conceitos do eu e do outro, aos de nascimento e morte, permanência e impermanência, existência e não existência. Se a realidade for descrita como inconcebível, a ferramenta usada para experimentar diretamente a realidade deve ser uma mente livre de todos os conceitos.


Thich Nhat Hanh, O Sol meu coração, da atenção à contemplação intuitiva, Editora Paulus, São Paulo, 1995

12.01.2009

As Oito Realizações

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Um dia, enquanto sentava no Parque Besakala, em Sumsumaragiri, o Buda anunciou: “Bhikkhus, quero contar a vocês sobre as Oito Realizações dos Grandes Seres. Venerável Anuruda falou a respeito destas oito realizações anteriormente. Elas são as realizações ensinadas pelos Grandes Seres para ajudar os outros a superar a distração e atingir a iluminação.

“A primeira realização é a consciência de que todos os darmas são impermanentes e desprovidos de um eu separado. Ao contemplarem a impermanência e a natureza destituída de um eu de todos os darmas, vocês podem escapar do sofrimento e atingir a iluminação, a paz e a alegria.

“A segunda realização é a consciência de que mais desejo conduz a mais sofrimento. Todas as dificuldades da vida surgem do apego e do desejo.

“A terceira realização é a consciência de que viver de modo simples, ter poucos desejos, conduz à paz, à alegria e à serenidade. Viver frugalmente permite mais tempo para a concentração, a prática do Caminho e a ajuda aos outros.

“A quarta realização é a consciência de que somente o esforço diligente conduz à iluminação. Preguiça e entrega a desejos sensuais são obstáculos à prática.

“A quinta realização é a consciência de que a ignorância é a causa do infindável ciclo de nascimento e morte. Vocês devem sempre lembrar de escutar e aprender a fim de desenvolverem sua compreensão e eloqüência.

“A sexta realização é a consciência de que a miséria cria ódio e raiva, o que, por sua vez, gera um ciclo vicioso de pensamentos e ações negativos. Os seguidores do Caminho, quando praticam generosidade, deveriam considerar todos, amigos e inimigos, do mesmo modo, como iguais, não condenando os erros do passado de ninguém ou odiando aqueles que, presentemente, estão causando sofrimento.

“A sétima realização é a consciência de que, embora habitemos no mundo para ensinar e ajudar os outros, deveríamos não nos deixar prender por assuntos mundanos. Aquele que deixa o lar para seguir o Caminho possui apenas três mantos e uma tigela. Ele sempre vive com simplicidade e olha para todos os seres com os olhos da compaixão.

“A oitava realização é a consciência de que não praticamos apenas buscando nossa própria iluminação, mas devotamos todo o nosso ser para orientar todos os demais até os portões da iluminação.

“Bhikkhus, estas são as Oito Realizações dos Grandes Seres. Todos os Grandes Seres, graças a estas oito realizações, alcançaram a iluminação. Aonde quer que fossem em vida, eles usaram estas oito realizações para abrir as mentes e educarem os outros, de modo que cada um pudesse descobrir o caminho que conduz à iluminação e à emancipação.




trecho do excelente livro Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do BUDA, de Thich Nhat Hanh (tradução de Enio Burgos, Editora Bodigaya, Porto Alegre, 2007).


http://www.bodigaya.com.br/



(*) Nota do blog: A bela foto acima é da autoria de Rick Gunn; outras fotos dele foram publicadas aqui em Nossa colheita e Praticar o dharma, onde conto sobre o Wish Tour que levou este fotógrafo a percorrer recentemente mais de 15 mil milhas de bicicleta ao redor do mundo -- sua página pode ser visitada através do link:
http://www.rickgunnphotography.com

07.12.2008

AMIZADE

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Sorria a Amizade.
Respire a Amizade.
Viva a Amizade.
Seja a Amizade.

22.11.2008

Em casa

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Paz a cada passo.
A cada passo, Paz.

Eu cheguei.
Estou em casa.

Para o Retiro de Inverno em Plum Village, por tres meses.

Obrigado pelo apoio, obrigado pelo amor.




Foto: Sweet Mango Photography

13.11.2008

Chamado

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O passo brusco
Brisa
Folhas fibrilando
Pássaros piando
estanco:
a Paz

09.11.2008

Generosidade

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Sorria a Generosidade.
Respire a Generosidade.
Viva a Generosidade.
Seja a Generosidade.

03.11.2008

Amigo das estações

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“Algo” vive no meu corpo. Vamos chamá-lo de “pequeno monge, cujas vestes flutuam ao vento”. Mas será realmente o agitar das suas vestes ao vento o que estamos querendo significar? Esse rapaz dedicou-se durante muito tempo a compor poemas curtos. Ao final, transformou essa tarefa da meta da sua vida. Às vezes ele se arrepende e tem vontade de desistir, outras é arrebatado pelo entusiasmo e sente a ambição de superar os demais na execução dessa tarefa. Esses sentimentos surgem um de cada vez, e lutam em seu peito, resultando em inquietação. Há momentos em que ele deseja obter um trabalho no mundo externo, porém este “algo” o restringe. Em outros momentos, ele alimenta o desejo de seguir os ensinamentos zen, de modo a iluminar sua ignorância; mas também aqui “algo” o impede de seguir esse ímpeto. E assim ele permanece inapto e incompetente, além do fato de permanecer constantemente atado a um Caminho.

O mesmo Caminho que Saigyõ buscou nos seus poemas, que Sogi procurou na sua poesia-acorrentada, que Sesshu tentou descobrir nos seus desenhos a nanquim e Rykyu na sua Cerimônia do Chá é o único Caminho atuante em todas as suas obras. E quem ama esse caminho segue as leis da natureza e torna-se amigo das estações. Tudo o que vê são flores. Tudo o que sente se torna a lua. Quando seu coração não se abre em flores, ele é como um bárbaro. Quando seu sentimento não desabrocha em flores, ele se assemelha a um animal. Afasta o bárbaro, separa-te do animal, segue a lei da natureza, retorna a ele.


Matsua Bashô, em seu diário de viagem U-tatsu-kikõ


em O Zen na Arte da Cerimônia do Chá, Horst Hammitzsch, Editora Pensamento, São Paulo, 1997

28.10.2008

Praticando

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O dentro é o fora
-- dizia-me um amigo.
Belas ou feias
as paisagens são mentais
-- cegas, todas.




(*) Nota do blog: Seja na aversão pela Índia, seja no apego pelo Mediterrâneo, durante toda esta viagem praticar equanimidade tem me parecıdo ser o caminho da felicidade -- e tenho me recordado de um dos melhores conselhos que ouvi na vida: não compare, pois quem compara não enxerga... e desde alguns dias encontro-me no meu canto preferido deste planeta, o Mediterrâneo (desta vez na Turquia, em Antalya) e então tento não ser tão feliz assim...

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