08.10.2009

compartilhando PV & Oddde

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Obrigado você. Obrigado por todas as manifestações de carinho ao final do paraserzen. Inspirando, expirando, estamos todos juntos, sempre.

A quem me encontrou e perguntou sobre o fim do paraserzen, sempre respondi que o blog tinha se tornado para mim um livro, e como um livro ele chegou ao final -- minha autobiografia por terceiros, cheia de citações e reminiscências.

Agradeço também pelos e-mails que todavia recebo. Em os respondendo -- atualmente, dedico-me a dois blogs em Português, ambos distintos do paraserzen, com menor frequência e postagens mais longas:

Compartilho minha experiência no mosteiro de Plum Village, do mestre zen Thich Nhat Hanh, através do blog compartilhando Plum Village, com textos do mestre, relatos da minha experiência, e sobretudo muitas fotos.

Um novo projeto é Oddde - O diário dos dias extraordinários, relato com confissões fictícias e reminiscências, em que busco fazer as pazes comigo mesmo e com minha história, através da prática do amor, da gratidão e da meditação. O blog encontra-se em fase de experimentação, e desdobra-se em dois -- se desejar ler, por favor acesse http://osdiasextraordinarios.wordpress.com/, se desejar apenas ouvir as trilhas de áudio e vídeo de apoio ao blog, por favor acesse http://odddesuporte.blogspot.com/ -- desfrute.

Obrigado.

 

 

27.05.2009

O mito da caverna

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Recebo da querida Geralda uma atualização do Mito da Caverna, de Platão, feita por Mauricio de Souza -- será que como humanidade nós saímos da caverna e do mundo das sombras, ou só o modernizamos? Veja a tira inteira no blog Após a Sopa, clicando aqui.

Essa reflexão, tão importante, tão importante, já havia aparecido outras vezes no paraserzen, especialmente em Consumindo a raiva e Janelas abertas.

14.05.2009

E se não comparar

[..] como na psicoterapia o eu é considerado algo de que temos de cuidar, quando você tem baixa auto-estima você possui diversos tipos de problemas, e por isso você tem que se livrar da sua baixa auto-estima. A impressão é a de que você tem de se consolidar, você tem de fortalecer o eu para superar o sofrimento e a doença. Muitos psicoterapeutas estiveram pensando como ajudar seus pacientes a livrar-se da baixa auto-estima. A baixa auto-estima parece ser a fundação de muitas desordens mentais.

Mas quando olhamos do ponto de vista budista, vemos que não somente a baixa auto-estima está  na fundação do sofrimento, mas que a alta auto-estima também está. Há muita gente que pensa grande sobre si mesma. Eles tem o complexo de superioridade, tem muita arrogância, e por conta disso criaram muito sofrimento para si e para as outras pessoas. A expressão “alta auto-estima” não parece ter uma conotação negativa assim como a baixa auto-estima. Mas se olharmos em profundidade veremos que [o complexo de superioridade] é tão perigoso quanto o complexo de inferioridade.

Então, sob a luz do ensinamento budista não apenas a baixa auto-estima não é boa, mas a alta auto-estima não é boa também.

E não somente não são boas a baixa auto-estima ou a alta auto-estima, mas também o complexo de igualdade não é bom. Você pode pensar que não deve sentir-se acima das outras pessoas nem abaixo delas, então pensa que sentir-se igual às outras pessoas é o correto, é o bom. Mas no budismo temos um outro complexo, o complexo de igualdade. Sou tão bom quanto ele, sou tão bom quanto ela – isso também é um complexo. Porque o complexo vem do fato de que você compara, um eu com outro eu. E quando você se compara, vê-se superior, inferior ou então igual. Mas no ensinamento do Buda não há um eu, e se você não tem um eu, não tem o que comparar. E se não comparar, não há complexo, nenhum.

 

Thich Nhat Hanh

 

Nota do blog: trecho de uma palestra -- refere-se também ao poema da postagem de ontem -- que está sento transcrita e traduzida para o Português, dada recentemente pelo Thây, no dia 26 de Março de 2009, em Plum Village, França. Se desejar ouvir o áudio original da palestra acesse aqui o site Lang Mai.

 

12.05.2009

A mãe do Gueto

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Gostaria de compartilhar o comunicado que recebi da Associação Palas Athena:

 

[Hoje] faz um ano da morte de um dos monumentos de humanidade e destemor: Irena Sendler [foto acima]. Em plena juventude ela enfrentou a crueldade hedionda das tropas nazistas que haviam invadido sua terra natal, a Polônia. Assistente social na época, resgatou do extermínio seguramente 2.500 crianças do Gueto de Varsóvia.

Em tempos como estes, quando os fantasmas das idéias totalitárias parecem ressurgir, e se questiona a inquestionável ignomínia, a vergonha do holocausto, é necessário lembrar para não repetir.

O artigo [cujo link segue] abaixo, de Lia Diskin, foi publicado originalmente na Revista 18, Centro da Cultura Judaica de São Paulo, edição set/out/nov. de 2008, e aqui reproduzido em homenagem à singularidade inspiradora de uma assistente social que fez de sua profissão um ato de fé.

Clique nesta linha para ler o artigo A Mãe do Gueto de Varsóvia, Irena Sendler.

Para acessar o site da Palas Athena, cujo link fica sempre disponível no box Sites recomendados, na coluna à esquerda da sua tela, por favor dirija-se para: www.palasathena.org.br

Desfrute, inspire-se.

Obrigado!

11.05.2009

Você é feito de estrelas

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Olhando mais em profundidade, vemos que temos ancestrais minerais, também. Água, rocha, terra, pó – você é feito de estrelas. Você é feito de minerais. Sem minerais não poderia haver vegetais, animais ou humanos. Por isso é importante dar-nos o tempo de olharmos em profundidade. Para enxergar, reconhecer todos os nossos ancestrais. Ancestrais de sangue. Ancestrais espirituais. Ancestrais humanos. Ancestrais animais. Ancestrais vegetais. E também os ancestrais minerais.

No Sutra do Diamante, o Buda diz que há quatro idéias a serem transcendidas, e uma delas é a idéia de ser humano. Um ser humano: o Buda nos aconselha a olharmos em profundidade, a meditar. Quando você olha o ser humano, pode enxergar que o humano é feito de elementos não-humanos. Nominalmente: animais, vegetais e minerais. Quando perceber isto, vai querer proteger animais, vegetais e minerais.

Então, se você olha o ser humano e vê animais, vegetais e minerais, vê realmente o ser humano. No entanto, se olha para o ser humano e não enxerga animais, vegetais e minerais, você não viu o ser humano. Você tem a percepção errônea, uma idéia errada do ser humano. E esta é uma das noções a serem removidas. É por isso que costumo dizer que um dos escritos mais antigos sobre Ecologia Profunda é o Sutra do Diamante. O insight contido nele nos ajuda a proteger o meio-ambiente.


[...]

Esta é a prática. Você vai reconhecendo os seus ancestrais enquanto faz isso. E você está perdendo o seu eu artificial. Passa a saber que está ligado a todos e a tudo mais. Você está praticando não-eu quando anota os nomes dos seus ancestrais.

Você precisa de plena consciência, de concentração para escrever os nomes dos seus ancestrais. [...] Esta é a nossa prática. A prática de tocar nossos ancestrais é muito importante em Plum Village; nos torna fortes, sólidos e felizes. Ela nos torna mais compassivos, compreensivos e amorosos.

 

Thich Nhat Hanh

 

Notas do blog: outro trecho da palestra dada pelo Thây no Dia dos Ancestrais, durante o Retiro de Verão de 2008, que foi traduzida e publicada na íntegra, ilustrada com uma dezena de fotos, no blog Compartilhando Plum Village (clique aqui para ler); a foto acima mostra um bebê que, durante uma Palestra do Dharma, afastou-se da mãe e foi sentar feliz e tranquilo entre as Irmãs da Sangha monástica de Plum Village --será que ele teria reconhecido os seus ancestrais espirituais? Para ver as fotos da cerimônia daquele dia, por favor acesse:

http://www.langmai.org/HinhAnh/HinhAnhSH/ky_69-MuaHe-GioT...

 

08.05.2009

Em cada célula do meu corpo

por favor, antes de ler o texto abaixo observe a foto e lembre-se de quando você mesmo foi deste tamanho...

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Quando você olha a si mesmo em profundidade, você vê o seu pai. Somente com meditação você pode ver isso claramente. A plantinha de milho pode ter dificuldade para enxergar em si mesma a semente de milho, mas fato é que ela é a semente de milho. Ela é a continuação da semente de milho, e a mesma coisa é verdadeira em relação a você. Você é a continuação do seu pai, a continuação da sua mãe. De alguma maneira, você é seu pai, você é sua mãe. Você não se parece exatamente como ele, mas ele está em você, e é esse o significado da frase que as crianças acabaram de cantar, “minha mãe, meu pai, eles estão em mim”.

Há uma meditação guiada aqui em Plum Village:
Inspirando, vejo o meu pai e a minha mãe em cada célula do meu corpo;

Ou

Inspirando, vejo a presença do meu pai e da minha mãe em cada célula do meu corpo;
Expirando, sorrio para o meu pai e a minha mãe em cada célula do meu corpo.


Você precisa visualizar isso. Você tem de ver isso como uma realidade e não somente como uma idéia, porque na meditação você enxerga concretamente, não fica somente com idéias abstratas.

E saiba que isso é também muito científico, porque seu pai e sua mãe transmitiram-se a você. Eles não transmitiram outras coisas, como um carro ou a conta bancária. Eles transmitiram a si próprios a você, e estão realmente lá, em cada célula do seu corpo. Você vem do seu pai; você vem da sua mãe.

 

Thich Nhat Hanh

 

Notas do blog: mais um trecho traduzido da Palestra do Dharma dada pelo Thây no domingo dia 13 de Julho de 2008, durante o Dia dos Ancestrais do Retiro de Verão, complementando a postagem de ontem que trazia a canção cantada pelas crianças na abertura da palestra.

A foto acima está disponível no site de Plum Village, no belíssimo álbum de fotos que mostra a Primavera que chegou por lá, florindo os extensos gramados, as ameixeiras cobertas de flores brancas, as cerejeiras vestidas de rosa (foto abaixo, do Upper Hamlet)... É maravilhoso, lindamente poético! Desfrute.

Para ver mais fotos de Plum Village, na França, por favor acesse o site oficial, cujo link fica permanentemente disponível no box Sites recomendados na coluna à esquerda da sua tela. Obrigado.

http://www.plumvillage.org/

 

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05.05.2009

A felicidade é a liberdade

Encontro no blog Pensando Zen (cujo link está sempre disponível no box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela) o precioso lembrete que compartilho:

 

A condição básica para a felicidade é a liberdade. Não estamos nos referindo à liberdade política, e sim à liberdade que conquistamos quando nos libertamos da raiva, do desespero, do ciúme e das ilusões. Buda os descreveu como venenos. Enquanto eles estão em nosso coração, é impossível ser feliz.


Thich Nhat Hanh

13.04.2009

Filhote

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Querido Thây, querida Sangha, queridos Irmãos e Irmãs, amigos e amigas

O blog paraserzen tem um "filhote" -- assim meu pai me chamava na infância, e assim eu chamarei o blog Compartilhando Plum Village -- de filhote. O link passa a ficar disponível permanentemente no box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela.

Ele nasceu com a publicação da tradução da carta que Thich Nhat Hanh dirigiu a todas as sua crianças espirituais, e agora conta com mais duas postagens: Compartilhar, onde explico a intenção do blog, e Impermanência - as quatro estações, onde mostro um detalhe da paisagem do Upper Hamlet, um dos quatro monastérios que atualmente compõe Plum Village, e as mudanças que ocorrem através do ano. Como cada postagem traz muitas fotos e também textos e links, a frequência de publicação não será diária como o paraserzen. Pretendo publicar também textos mais longos, como a tradução das Palestras do Dharma mais recentes oferecidas pelo Thich Nhat Hanh.

Se tiver fotos -- a foto acima, de uma meditação caminhando no Lower Hamlet, foi-me enviada pelos queridos Richard e Joanne Friday, dos EUA -- ou textos para enviar, por favor participe, e deixe por lá suas impressões, comentários, dúvidas e sugestões. Obrigado.

Desfrute!

08.04.2009

Enquanto isso, em Plum Village

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Se você está no trabalho e se perguntando como cultivar paz, alegria, dê uma olhada na foto acima: o mestre zen Thich Nhat Hanh varre as folhas do chão para comemorar seu aniversário de 83 anos de idade, durante a visita que fez ao Instituto Europeu de Budismo Aplicado, com sede na Alemanha e ligado a Plum Village. Você pode ler mais sobre o Instituto acessando a comunicação semanal Sangha Virtual, e para ver mais fotos por favor acesse o site do Instituto em:
http://www.eiab-maincampus.org/EIAB_Germany/Photo_Albums/...

Ou não fazer nada disso, e simplesmente inspirar-se na foto acima. Você já varreu o chão hoje, simplesmente varreu o chão, varreu simplesmente o chão, hoje?


Nota do blog: este blog já havia varrido antes ao mostrar o Venerável Thay Min Tue rastelando o gramado de Plum Village, numa outra postagem também intitulada Enquanto isso, em Plum Village, e em Varrer os caminhos, compartilhando Ajahn Chah e o querido amigo Lécio Ferreira.

03.04.2009

Uma carta do Thich Nhat Hanh

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Gostaria de compartilhar a tradução que fiz para a carta escrita pelo Thich Nhat Hanh em dezembro do ano passado, durante o Retiro de Inverno 2008/9, que passei em Plum Village. É um texto um pouco diferente dos que aqui trago, dos livros dele, das Palestras do Dharma ou mesmo das cartas abertas à sociedade. Como ele mesmo diz, é uma "carta a todas as minhas crianças espirituais", e tem um tom de crônica, mais íntimo, mais afetuoso, com diversas pequenas histórias pessoais, contadas dentro do espírito zen.

Ilustrei a carta com links e diversas fotos, para dar idéia das pessoas e dos lugares de que ele está falando e mostrar mais aspectos da Sangha desta tradição -- o que torna difícil sua publicação no paraserzen por questão de espaço de servidor, então criei ainda um outro blog, o Compartilhando Plum Village, no qual pretendo compartilhar um pouco da minha experiência e vivência em Plum Village, principalmente através de fotos. O blog ainda está em fase de construção e experiência, obrigado por sua paciência.

A carta ilustrada do Thây pode ser lida em:
http://compartilhandopv.blogspot.com/2009/03/uma-carta-pa...



Nota do blog: montanha nevada, Plum Village, França -- em sua solidez, em sua presença ampla, na qual abriga toda a Sangha, todos os seres, Thich Nhat Hanh lembra-me nesta foto uma montanha... ©Plum Village sites

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