20.06.2009
Silêncio é...

Silêncio é mansidão
Quando você não defende a si mesmo contra as ofensas
Quando você não chama por seus direitos
Quando você deixa Deus defende-lo
Silêncio é mansidão...
Silêncio é misericórdia
Quando você não revela a outros a falta de seus irmãos
Quando você prontamente perdoa sem remexer o passado
Quando você não julga, mas ora em seu coração
Silêncio é misericórdia...
Silêncio é paciência
Quando você aceita sofrimentos sem reclamar, alegremente
Quando você não procura consolações humanas
Quando você não se torna muito excitado
Mas espera, paciente, que a semente germine
Silêncio é paciência...
Silêncio é humildade
Quando não há competição
Quando você considera a outra pessoa melhor do que você
Quando deixa seu irmão brotar, crescer e amadurecer
Quando você, alegremente, abandona tudo no Senhor
Quando as suas ações podem ser mal interpretadas
Quando você deixa para outros a gloria da recompensa
Silêncio é humildade...
Silêncio é fé
Quando você guarda silêncio porque sabe que o Senhor agirá
Quando você renuncia à voz do mundo para manter-se na presença do Senhor
Quando você não se esforça para ser entendido
Porque é suficiente para você saber que o Senhor o entende
Silêncio é fé...
Silêncio é adoração
Quando você abraça a cruz sem perguntar “por quê”
Silêncio é adoração...
Madre Teresa de Calcutá

Notas do blog: infelizmente, não consegui comprovar a autoria deste texto, do qual tenho simplesmente uma antiga fotocópia já desbotando... De qualquer forma, seria uma tradução da qual não haveria como checar a fonte, portanto tome cuidado ao ler e creditar...
Lembro-me do meu Kyrie, de tantos anos atrás, até pelas palavras que compartilhamos... Juntamente com o chá, o silêncio tem sido um dos temas preferidos do paraserzen, e há um Espaço Silêncio no coração deste blog... As imagens acima são do excelente fotógrafo vietnamita Ly Hoang Long, cujo site pode ser visitado em: http://www.lylongphoto.com/
Obrigado.
13:04 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: madre teresa de calcutá, silêncio, deus, kyrie, ly hoang long
19.06.2009
O nascimento da borboleta

Esta experiência é única. Nela ocorre algo que nunca poderemos esquecer e que não poderemos também explicar. [...] Em um itinerário espiritual, deve-se fazer desta experiência uma oportunidade de iniciação. Não considerá-la como algo que jamais se reproduzirá ou como uma graça maravilhosa que queremos que se repita a todo instante. Porque esta experiência é uma revelação de nossa natureza verdadeira.
[...] São momentos em que, efetivamente, a paz dura um pouco mais e onde, no interior de nossa mente, o silêncio torna-se algo real. [...] é preciso acolher estes momentos gratificantes com gratidão, mas, ao mesmo tempo, não se apegar a eles e não procura-los. [...] Porque, se nós nos apegamos a estes momentos, se quisermos reencontrá-los sem cessar, em lugar de nos ajudarem a avançar, eles nos param, nos bloqueiam, fazendo-nos entrar em uma espécie de complacência com eles. [...] A vida, porém, é uma grande mestra e se encarrega de tirar nossas ilusões.
[...] E o sinal de que a experiência numinosa realmente nos tocou é que não podemos mais viver da mesma maneira que antes. [...] Porque podemos ter tido experiências maravilhosas e magníficas, mas concretamente, em que elas mudaram as nossas vidas? O que mudou em nossa vida cotidiana? Dessa maneira, podemos ter necessidade de uma prática, de um método em nosso itinerário.
[...] ao final de um itinerário espiritual não sobra muito da imagem que se tinha de si mesmo no início do processo. É como se houvesse uma morte de si mesmo. Mas esta morte não é o fim. O que alguns chamam de morte da lagarta, outros chamam de nascimento da borboleta.
Jean-Yves Leloup em Terapeutas do Deserto (com Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis, 2002)
Nota do blog: só gostaria de compartilhar o melhor conselho que ouvi em toda a minha vida, e que pela primeira vez ouvi claramente da Lia Diskin, da Associação Palas Athena, e que depois ouvi de muitos outros mestres: Minha gente, hay que praticar.
É este o caminho.
13.06.2009
Para ajudar o céu azul

continuação da postagem anterior, do livro de Thich Nhat Hanh, Serenando a mente – O olhar budista sobre o medo e o terrorismo (Editora Vozes, Petrópolis, 2007):
A condição básica para se alcançar o Reino de Deus é estar livre do medo, da desesperança, da raiva e da ânsia. A prática da plena consciência permite-nos reconhecer a presença da nuvem, da nevoa e das tormentas. Mas também podemos reparar no céu azul detrás disso tudo. Temos a inteligência, coragem e estabilidade suficientes para ajudar o céu azul a se revelar novamente.
Às vezes me perguntam o que pode ser feito para ajudar o Reino dos Céus a se revelar. É uma pergunta muito útil. É como perguntar o que se pode fazer para diminuir o nível de violência e do medo que estão dominando nossa sociedade. Esta é uma pergunta que muitos já fizemos. Ao dar um passo com estabilidade, solidez e liberdade, você contribui para varrer a desesperança do céu. Quando centenas de pessoas caminham juntas atentamente, gerando a energia de solidez, estabilidade, liberdade e alegria, estamos ajudando a nossa sociedade. Quando sabemos olhar para outra pessoa com olhos compassivos, quando sabemos sorrir para ela com esse espírito de compreensão, estamos ajudando o Reino dos Céus a se revelar. Quando inspiramos e expiramos com plena consciência, nós estamos ajudando a Terra Pura a se revelar. Em todo momento da vida cotidiana nós podemos fazer alguma coisa para ajudar o Reino dos Céus a ser revelar. Não se deixe dominar pela desesperança. Podemos usar cada minuto e cada hora do nosso dia-a-dia.
Notas do blog: sobre restrições a esta tradução, ver a nota da postagem de ontem; sobre a desesperança há uma outra visão muito interessante de Charlotte Joko Beck em Sem esperança; foto Yellowstone ©Jeff Hutchens
11:28 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hanh, serenando a mente, reino dos céus, terra pura, desesperança, plena consciência
12.06.2009
No assobio do vento

Enquanto pregava no deserto da Judéia, João Batista urgia as pessoas a se arrependerem porque “o Reino de Deus está próximo”. Aqui, eu entendo “arrepender” como “parar”: parar de agir com violência, ânsia e ódio. Arrepender-se significa acordar e perceber que o rumo que estamos adotando como sociedade implica loucura. É encobrir o céu azul. Arrepender-se significa começar de novo. Reconhecemos nossas transgressões e nos banhamos nas águas límpidas dos ensinamentos espirituais de amar o próximo como a nós próprios. Comprometemo-nos a abandonar o ressentimento, o ódio e o orgulho. Começamos de novo com a mente renovada e o coração limpo e determinado a agir melhor. Depois de ser batizado por João, Jesus ensinou o mesmo. E este ensinamento condiz perfeitamente com o ensinamento do budismo. Aqui está a Terra Pura, a Terra Pura está aqui. A Terra Pura está em teu coração. A Terra Pura está muito perto.
Se soubermos começar de novo, se soubermos transformar nossa desesperança, nossa violência e nosso medo, a Terra Pura se revelará para nós e os que nos rodeiam. A Terra Pura não pertence ao futuro. Ela pertence ao aqui-e-agora. Em Plum Village nós usamos uma expressão muito vigorosa: “A Terra Pura é agora ou nunca”. Podemos achar tudo o que procuramos neste momento, inclusive a Terra Pura, o Reino de Deus e nossa natureza de Buda. Temos a possibilidade de alcançar o Reino de Deus com os olhos, os pés, o braços e a mente. Quando estamos atentos, estamos concentrados. Quando sua mente e seu corpo se unem, basta você dar um passo para estar no Reino dos Céus. Quando você está atento, quando está livre, tudo o que você toca – quer as folhas das árvores, quer a neve --, está no Reino dos Céus. Tudo o que você ouve pertence ao Reino dos Céus, seja o canto dos pássaros ou o assobio do vento.
Thich Nhat Hanh, Serenando a mente – O olhar budista sobre o medo e o terrorismo, Editora Vozes, Petrópolis, 2007
Notas do blog: relutei até hoje em trazer trechos deste livro por conta da tradução, que apesar de correta, erra nos termos usados por Thich Nhat Hanh -- apesar da linguagem tão simples e sensata do monge, ou justamente por isso, a tradução está truncada e não reproduz fielmente a mensagem do Thây. Alegro-me que a Editora Vozes esteja se empenhando em traduzir os livros deste mestre zen para o público brasileiro, mas cada texto fica a cargo de um tradutor diferente, não há unidade e transparece o desconhecimento desta tradição. Infelizmente, falta coordenação editorial e revisão técnica. Assim, o texto acima foi modificado para o paraserzen e traz diferenças sutis com o publicado pela Editora. A melhor e exemplar publicação de Thich Nhat Hanh no Brasil continua sendo Cultivando a Mente de Amor, da Editora Palas Athena.
No topo, ícone portátil cretense de São João Batista, sec XVII, atribuido a Emmanuel Lambardos, Kythera Byzantine Art Collection, Grécia (para saber mais clique aqui ou acesse o site do Ministério Helênico de Cultura)
11:02 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hanh, serenando a mente, são joão batista, cristo, buda, terra pura, reino dos céus
11.06.2009
Rompe a tela deste doce encontro

Para a alma que não está preparada tudo se emprega em dispor do espírito, e mesmo depois disto, o fogo ainda custa a atear-se na madeira, seja por causa da muita umidade dela, seja pelo calor insuficiente, ou por ambos os motivos. Naquela, porém, que já está disposta, a ação do amor penetra em momentos, pois a cada contacto dele a centelha se inflama na madeira já seca. Eis por que a alma deseja mais a brevidade do romper, do que o tempo de cortar e acabar. A quarta (*) é para que se acabe mais depressa a tela da vida. Com efeito, para cortar e acabar alguma coisa, age-se com mais detença esperando que esteja sazonada ou acabada, ou qualquer outra condição: mas para romper, parece que não se espera o tempo adequado nem outra circunstância alguma.
San Juan de la Cruz, A Chama Viva do Amor, tradução de Frei Patrício Sciadini O.C.D., Edições Carmelitanas, São Roque
(*) Notas do blog: refere-se às estrofes -- "San Juan de la Cruz explica em texto, a pedido de Dona Ana Peñalosa, os versos das Canções que ele mesmo compôs, em 1584, que tratam da mais íntima e subida união e transformação da alma em Deus" (nota de Frei Patrício Sciadini O.C.D.).
San Juan de la Cruz está entre meus autores preferidos, e das mais frequentes presenças neste blog. Por favor acesse outras postagens de belas fotos e sublimes palavras, com mais links, inclusive para um filme, clicando aqui.
Obrigado.
12:02 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: san juan de la cruz, a chama viva do amor, carmelitas, alma, espírito, deus, vida, morte
05.06.2009
A grande pergunta

Por que preocupar-se tanto com seu futuro e estar tão pouco preocupado com a sua eternidade?
A grande pergunta não é” Qual será o meu futuro? Ou qual será o futuro da humanidade ou o futuro da terra? Tudo isso pode durar ainda alguns anos ou milênios, e tudo pode parar de um momento para outro... De todo modo, não se escapa à lei da entropia: “O mundo, tal como o vemos, está desaparecendo.”
A grande pergunta é, de preferência: Qual será minha eternidade, o que fazer de minha vida que escapa ao tempo ou que resgata o tempo?
[...] A inteireza não opõe os dois, refere-se ao meu futuro e à minha eternidade.
Jean-Yves Leloup em sua autobiografia O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003 (edição original francesa de 1991)
Nota do blog: foto The World at my fingertips ©Jill Greenseth; para ver mais fotos, por favor acesse
http://www.flickr.com/photos/blah_oh_well/sets/7215760302...
10:36 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: jean-yves leloup, o absurdo e a graça, eternidade, entropia, morte, vida espiritual, futuro, presente
01.06.2009
Às moscas
Sem palavras, a mensagem profunda sobre a prática.
Notas do blog: agradeço ao querido Ilan por ter me possibilitado assistir ao vídeo acima.
E gostaria de compartilhar uma lembrança: demi-koan.
10:04 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: meditação, raiva, terra pura
28.05.2009
O Zen no pincel e na espada

o pincel pousa
na pausa de um instante
em preto e branco
(Rita Brant)

pincel é pena
palavra tinge o papel
e rabisca tons
(José Roberto Bueno)

passeia o pincel
cabelos negros
venta a água
(paraserzen)
Notas do blog: as fotos acima são do curso bun bu ryo do - o pincel e a espada, um só caminho, ministrado atualmente na Palas Athena pelo sensei José Roberto Bueno. Durante as aulas fazemos Aikido e Sumi-e, a arte marcial e a pintura, de acordo com a proposta de "descobrir as qualidades que integram o guerreiro ao artista; tanto no Sumi-e como no Aikido encontram-se os elementos básicos da arte Zen: suavidade, simplicidade, pureza e elegância. Cada traço e cada gesto são vividos como únicos e realizados com todo o ser".
O curso, por privilegiar a prática como é da tradição Zen, tem trazido muito aprendizado, não meramente intelectual, mas de vivência, e tem possibilitado cultivar insights -- o curso em si é um tremendo insight --, que os alunos compartilham de maneiras diversas -- uma delas, nos haiku acima. A aula inspira, fortalece, sutiliza, e traz uma alegria e paz que transbordam semana afora -- pois são fruto da prática e não de mero conhecimento intelectual.
Ficou com vontade de praticar também? Uma nova turma do curso está planejada para o segundo semestre de 2009 -- consulte a excelente programação da Associação Palas Athena -- cujo link está permanentemente disponível no box Sites recomendados, na coluna à direita da sua tela --, que considero uma das minhas casas em São Paulo, e onde fui aprendendo a alicerçar minha (des)construção espiritual, e a qual divulgo com reiterada gratidão e respeito.
Se desejar, veja mais fotos da aula no blog do José Roberto Bueno clicando aqui; para ler mais poesias da Rita Brant, por favor acesse o blog esferamanuscrita.
Paz, Amor e Alegria a todos.
Obrigado.
10:04 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: zen, josé roberto buenon, rita brant, sumi-e, sumiêd, aikido, aikidô, guerreiro, artista, pincel, espada, arte, palas athena
26.05.2009
Para viver bem
Faço o voto de trazer alegria a uma pessoa pela manhã, e de aliviar o sofrimento de uma pessoa à tarde; vivendo de maneira simples e sensata, com poucos pertences, mantendo meu corpo saudável. Faço o voto de abandonar minhas preocupações e ansiedade de maneira a ser leve e livre.
Nota do blog: entre um sino e outro, este é um trecho do Cântico do Refúgio, como cantado lá em Plum Village -- uma bonita inspiração para todos os nossos dias; traduzido a partir de Chanting from the Heart - Buddhist Ceremonies and Daily Practices, Thich Nhat Hanh and the Monks and Nuns of Plum Village, Parallax Press, 2007
16:29 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: alegria, aliviar o sofrimento, vida simples, corpo saudável, cântico do refúgio, plum village
18.05.2009
Dia após dia

As mudanças que ocorrem através da prática espiritual não são da sua alçada. Se tentarem fazer destas mudanças a sua alçada, vocês tentarão mudar a sua vida, diretamente. Se tentarem mudar a sua vida diretamente, isto não os satisfará, não importa quanto tempo vocês gastem com isto. Se quiserem mudar a sua vida, de verdade, devem somente formar a rotina de fazer as pequenas coisas, dia após dia. Aí então sua vida mudará além das expectativas. Se praticarem continuamente, dia após dia, vocês se tornarão pessoas pacíficas, gentis, e harmoniosas. Não há explicação para isto.
Dainin Katagiri, You Have to Say Something: Manifesting Zen Insight
Notas do blog: trecho de um texto traduzido por Lucas Seigaku e publicado no blog Pensando Zen , cujo link fica disponível no box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela -- para ler mais por favor clique aqui.
Foto © rinko kawauchi; para ver mais fotos deste artista do cotidiano por favor acesse:
http://www.designboom.com/contemporary/kawauchi.html
Esta postagem, e a mensagem nela contida, é dedicada a VOCÊ.
08:40 Escrito em Inspiração/Inspiration | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: prática espiritual, meditação, dainin katagiri