El jardín de senderos que se bifurcan/ Ficciones
Autor: Jorge Luis Borges
(os meus 16 anos)
Este livro, eu reli muitas vezes.
O conto "As ruínas circulares" eu quase sabia de cor.
Mas são duas passagens de "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius" que mudaram minha vida.
Tanto que lembro-me perfeitamente da manhã em que lia o livro, do lugar onde estava, da temperatura, da luminosidade. Um instante inesquecível:
"(...)o sol e a água contra o peito do nadador, o vago rosa trêmulo que se vê com os olhos fechados, a sensação de quem se deixa levar por um rio e também pelo sonho."
O nadador sou eu, que descobre não ser negra a escuridão, mas rósea, ao se deixar levar pelo rio que é sonho.
E depois:
"(...)que o presente é indefinido, que o futuro não tem realidade senão como esperança presente, que o passado não tem realidade senão como lembrança presente."
No instante dessa leitura, eu me lembro, minha vida parou. Eu fui para algum lugar, e quando voltei, era outro.
E estou aqui e agora como estou porque houve aquele então.
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