Os Devaneios do Caminhante Solitário

Autor: Jean-Jacques Rousseau

(os meus 19 anos)

A primeira frase do livro é "Eis-me, portanto, sozinho na terra, tendo apenas a mim mesmo como irmão, próximo, amigo, companhia." Foi igual a minha constatação, àquela época, finda a adolescência.

Uma leitura dolorida, quase tanto quanto foi a escrita para o seu autor. Mas a dor da leitura pode ser reiterada, pois não se escreve mais de uma vez, como se pode ler e reler este livro. Estes grifos são da minha primeira leitura:

De agora em diante, tudo o que é exterior a mim me é estranho. Neste mundo, não tenho mais próximo, nem semelhantes, nem irmãos. Estou na terra como num planeta estranho, onde teria caído daquele em que habitava. (da Primeira Caminhada)

A juventude é o momento de estudar a sabedoria; a velhice é o momento de praticá-la. A experiência instrui sempre, confesso-o; mas somente é útil para o espaço de tempo que se tem diante de si. É no momento em que é preciso morrer que se deve aprender como se deveria viver. ( da Terceira Caminhada)



E são dez, as doloridas caminhadas em que acompanho Rousseau.

Ficam por minha testemunha de que é possível sarar, estancar as feridas, serenar o desespero.

Estou vivo, e sorrindo.

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