06.06.2009
Nada menos que um milagre

Quando você olha profundamente para um laranja, você percebe que uma laranja, ou qualquer fruta, não é nada menos que um milagre. Tente. Pegue uma laranja e segure-a em sua palma. Inspire e expire lentamente, e olhe para ela como se a estivesse vendo pela primeira vez.
Quando você olha para ela em profundidade, você será capaz de ver muitas coisas maravilhosas: o sol brilhando e a chuva caindo sobre a laranjeira, as flores da laranjeira, a pequenina fruta aparecendo no galho, a cor da fruta mudando de verde para amarelo e, depois, a laranja plenamente madura. Agora, vagarosamente, comece a descasca-la. Sinta o maravilhoso perfume da casca da laranja. Tire um gomo da laranja e ponha-o na boca. Prove o seu suco maravilhoso.
A laranjeira levou três, quatro ou seis meses para produzir esta laranja para você. É um milagre. Agora a laranja está pronta e diz: “estou aqui para você”. Mas se você não estiver presente, você não ouvirá isso. Quando você não está olhando para a laranja no momento presente, a laranja também não estará presente.
Estar plenamente presente enquanto comemos uma laranja, uma casquinha de sorvete ou qualquer outro alimento é uma experiência deliciosa.
Thich Nhat Hanh, Eu Busco Refúgio na Sangha – Um caminho espiritual (Editora Vozes, Petrópolis, 2008)
11:06 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hanh, eu busco refúgio na sangha – um caminho espiritual, laranja, festa da tangerina 2009
25.05.2009
Meditação do Abraço
Neste final de semana foi a Meditação do Riso, hoje é a Meditação do Abraço que me inspira -- esta, uma "prática bastante praticada" em Plum Village, o centro de meditação na tradição do mestre Zen Thich Nhat Hanh. A minha memória dos meus últimos 5 dias lá, no fim do Retiro de Inverno, é de percorrer os dias inteiros indo de um abraço a outro, de um amigo a outro, pleno de amor e gratidão... Inspirando, expirando, estamos todos juntos.
Abaixo, reproduzo um trecho da brochura Como desfrutar da sua estadia em Plum Village - Um guia das práticas e atividades, compilado pelos monges e monjas de Plum Village, que traduzi para o Português durante o Retiro de Verão de 2008, e que em breve estará disponível no blog Compartilhando Plum Village:
Quando nos abraçamos, nossos corações se conectam e entendemos que não somos seres separados. Abraçar em plena consciência pode trazer-nos cura, reconciliação, entendimento e muita felicidade. A prática da meditação do abraço tem ajudado muitas pessoas a se reconciliarem – pais e filhos, amigos, casais, etc.
Podemos praticar a meditação do abraço com um amigo, nossa filha, nosso pai, nosso parceiro ou mesmo com uma árvore. Para praticar, primeiro fazemos uma reverência com as palmas das mãos unidas, reconhecendo a presença um do outro. Podemos desfrutar de três respirações profundas em plena consciência, para nos sentirmos inteiramente presentes, e só então abrimos os braços e nos abraçamos. Mantemos o abraço por outras três respirações. Na primeira respiração, estamos conscientes de estarmos presentes naquele exato momento, e sentimo-nos felizes. Na segunda respiração, estamos conscientes de que a outra pessoa está presente naquele momento, e sentimos felicidade. Com a terceira respiração, estamos conscientes de estarmos juntos, aqui e agora neste planeta, e sentimos profunda gratidão e alegria pela nossa união. Então, podemos gentilmente liberar a outra pessoa, fazendo uma reverência mútua para demonstrarmos nosso agradecimento.
Quando nos abraçamos dessa maneira, a outra pessoa se torna real, verdadeiramente viva. Não precisamos esperar até que alguém esteja prestes a viajar, podemos nos abraçar agora mesmo e receber o calor e a estabilidade do nosso amigo, neste presente momento. Abraçar pode ser uma prática profunda de reconciliação. Durante o abraço em silêncio, uma mensagem torna-se bastante clara: “Querido, querida, você é precioso para mim. Sinto não ter sido bastante atencioso e compreensivo. Cometi erros. Por favor permita-me começar de novo. Eu te prometo.”
09:55 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: meditação do abraço, thich nhat hanh, plum village, prática de meditação
23.05.2009
Merci!
Assistindo hoje ao vídeo abaixo, que encontrei no blog Pensando Zen (cujo link está sempre disponível no box Fraternidade de blogs, na coluna à direita da sua tela), lembrei-me das nossas maravilhosas sessões de Laughing Meditation - Meditação do Riso, promovidas pelo belo Brandt no início do Retiro de Inverno 2008/2009 em Plum Village... Obrigado ao Brandt pela iniciativa, pela gentileza, delicadeza, inocência, sinceridade, dedicação e que você possa superar todo o sofrimento e ser feliz -- monge ordenado na Tailândia ou onde quer que esteja, peregrinando... Merci a tous!
Desfrutem!
Se o vídeo acima não funcionar, por favor acesse:
12:33 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: laughing meditation, meditação do riso, alegria
15.05.2009
Pausa para inspirar
No início, podemos achar que há um “eu” inspirando e expirando. Mas se praticarmos realmente, iremos descobrir que ninguém está inspirando ou expirando. Há somente a inspiração acontecendo, e a expiração acontecendo. Claro que há a intenção de inspirar, a intenção de expirar, o prazer de inspirar, o prazer de expirar. O fato é que a respiração está lá, existe. Mas você não precisa de um “ser respirador” para respirar. Isso pode ser difícil de aceitar, no começo, porque você ainda está no nível da conceitualização. Porém, com um pouco de prática você irá enxergar e tocar a verdade. Não há um “respirador”, há somente a respiração acontecendo. Não há um pensador, há apenas os pensamentos se sucedendo.
Nós não estamos familiarizados com isso, porque achamos que precisa existir um pensador para tornar possível o pensar. Penso, logo existo, logo sou. Se o eu não existir, o pensar não poderá existir, então o fato de o pensamento existir é uma prova de que há um “eu”, um pensador.
Há uma diferença de pensamento, de percepção das coisas, dentro dessa tradição. E todos nós fomos influenciados pelo modo cartesiano de pensar -- precisamos reconsiderar isso.
Você está convidado a inspirar e a olhar em profundidade e ver que, enquanto está inspirando, todos os seus ancestrais estão inspirando junto com você. [pausa para inspirar] E este é o início da verdadeira experiência do não-eu.
Thich Nhat Hanh
Notas do blog: mais um trecho da palestra dada recentemente pelo Thây, no dia 26 de Março de 2009, cujo áudio original -- em Inglês -- encontra-se disponível acessando o site Lang Mai. Quando estiver traduzida e transcrita, será publicada no blog Compartilhando Plum Village, onde já estão disponíveis outras Palestras e textos longos do Thich Nhat Hanh.
Para ler mais sobre o não-eu, acesse as postagens anteriores Decepção e o vasto oceano, Mente e corpos saudáveis, e a excelente O martelo, onde há links para outras postagens ainda mais antigas, entre as minhas preferidas, sobre o mesmo tema -- esta proposta de conversa entre postagens está no cerne da missão deste blog, que é compartilhar um caminho de paz. Obrigado!
09:58 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: thich nhat hanh, meditação, respiração, não-eu, pensamento, pensador
16.04.2009
Atento, desatento
Ainda ontem, se fazia poesia espontânea das mensagens mais recentes, bem aqui ao lado e assim:
Vidamorte, filhote
Ressurreição é uma prática sem título, patins
Cada um de nós é um rio de tomates e terremotos
Enquanto isso, em Plum Village: alternância
Naufrágio da felicidade
Quem esteve atento, quem estava desatento?
A cada momento, a cada momento...
Há o nascimento, diante e dentro.
Íntimo, átimo.
Mínimo, ínfimo.
Se buscamos somente o sentido das palavras
perdemos esta tela iluminada,
perdemos este olhar,
perdemos esta leitura,
perdemos nossa espinha
per-de-mos-es-ta-li-nha,
per-de-mos-ca-da-l-e-t-r-i-n-h-a.
Perdemos cada momento.
Perdemos este momento.
Percebe?
Não mais busquemos. Desfrutemos.
Deste momento.
(qual o sentido disto, alguém ainda se perde e se pergunta? Clarice o disse muito melhor do que eu, em Renda-se... e talvez alguém ainda se lembre de como eu escrevia, há vinte anos atrás, centenas de postagens atrás, em... Kyrie!)
10:25 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: iluminação, momento presente, aqui agora, mínimo, átimo, atenção, zen
26.03.2009
O nascimento a cada momento
Há três anos atrás, o paraserzen nascia com a postagem Contemplando as florescências do pessegueiro e percebendo o caminho, poema do Mestre Zen Eihei Dogen (1200-1253), e hoje trago mais um trecho deste mestre e do mesmo livro, no comentário de Kazuaki Tanahashi. Este continua sendo meu livro de cabeceira mas no momento não está lá, e sim sobre a mesa "de estudos" -- embora interesse mais manter o insight e a experiência desse nascimento a cada momento.
Obrigado.

A lua
residindo em meio à
mente serena;
vagalhões penetram
na luz.
Este poema escrito por Dogen, intitulado “Sobre a prática do zazen”, ilustra o aspecto dinâmico da concentração na serenidade. A luz do luar, que parece imóvel, bruxuleia sobre as ondas do oceano, que se quebram ruidosamente contra as rochas, rebentando em gotículas. Milhões de partículas de luz se estilhaçam, se espalham e se fundem. Para Dogen, a prática da meditação implica essa espécie de permeação mútua entre uma “luz” individual e a atividade de todas as coisas. Embora a prática de uma pessoa seja parte da prática de todos os seres despertados, cada prática individual é indispensável, pois atualiza e completa a atividade de todos como um buda.
Esta meditação é fonte de compromisso criativo com a vida. Enquanto esta é vista como continuação do nascimento, momento após momento, a meditação é uma experiência total deste “nascimento” a cada momento. Desse modo, uma pessoa não mais vive um momento como um segmento da vida ou recebe a vida passivamente, mas está totalmente comprometida de modo ativo e criativo. Dogen explica esta experiência usando a metáfora de um barco:
O nascimento é exatamente como navegar num barco. Levantai as velas e remai [...] navegai no barco e vosso navegar faz do barco o que ele é.
A Lua numa Gota de Orvalho – Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi (Editora Siciliano, São Paulo, 1993)
Nota do blog: foto (recorte) moon reflections on blue, por Hogne; para ver mais fotos desta bela série por favor acesse:
http://www.flickr.com/photos/htjems/
09:42 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: eihei dogen, a lua numa gota de orvalho, zen, budismo, meditação, mente
13.03.2009
A mente em meditação
O que, então, devemos “fazer” com a mente em meditação? Absolutamente nada. Deixá-la como está. Um mestre descreveu a meditação como “a mente suspensa no espaço, em lugar nenhum”.
O ditado é famoso: “Se a mente não é fabricada, aparece espontaneamente imbuída de uma felicidade sublime, assim como a água que se mostra naturalmente transparente e límpida quando não é agitada”. Com freqüência comparo a mente em meditação com um jarro de água barrenta: quanto menos interferência ou agitação tiver, mais as partículas de terra se depositam no fundo, permitindo que a claridade natural da água transpareça. A própria natureza da mente é tal que, se você a deixa em seu estado inalterado e natural, ela encontrará sua verdadeira natureza, que é bem-aventurança e claridade.
Tome cuidado, portanto, para não impor nem cobrar nada à mente. Ao meditar, não deve haver qualquer esforço na direção do controle, nem empenho em ser pacífico. Não seja solene demais nem se sinta como se estivesse tomando parte num ritual especial; deixe de lado até a idéia de que está meditando. Seu corpo e a sua respiração devem ser entregues a si mesmos.
Sogyal Rinpoche em seu luminar O Livro Tibetano do Viver e do Morrer (Editora Palas Athena, São Paulo, 1999)
12:26 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: meditação, mente, nada, natureza da mente, sogyal rinpoche, o livro tibetano do viver e do morrer
12.03.2009
Sem expectativas nem julgamentos

Continuação da postagem anterior, Temos de ser corajosos:
Temos de evoluir sem temer o desconhecido e se, efetivamente, formos um pouco além, descobriremos que é possível começar sem pensar “porque...” – sem pensar “vou conseguir algo”, sem viver somente no futuro. Não devemos criar fantasias em torno do futuro e utilizar apenas isso como estímulo e como fonte de incentivo, mas devemos tentar obter o sentimento real do momento presente. Isso é o mesmo que dizer que a meditação só pode ser colocada em prática se não estiver condicionada por nenhum dos métodos que normalmente usamos para lidar com as situações. Devemos praticar a meditação de modo direto, sem expectativas nem julgamentos e, sem pensar, de maneira alguma, em termos de futuro. Apenas salte para dentro da meditação; pule sem olhar para trás.
[...] Assim sendo, pela primeira vez, temos de começar a lidar com as situações sem incorrer no erro cego de começar a partir do “Eu” – que nem ao menos existe. Tendo dado esse primeiro passo, descobriremos um conhecimento intuitivo mais profundo e faremos novas descobertas porque, pela primeira vez, veremos uma espécie de nova dimensão: descobriremos que podemos chegar de fato ao resultado final, ao mesmo tempo que percorremos o caminho. Isso só pode ocorrer quando não existe um “Eu” para começar, quando não há expectativas. Toda a prática da meditação está baseada nesse fundamento; e nesse caso, você pode ver, de forma bem clara, que a meditação não é uma tentativa de escapar da vida, não é uma tentativa de atingir um estado utópico da mente, não é uma questão de ginástica mental. A meditação é uma tentativa de ver o que é, e não há nada de misterioso a respeito dela. Consequentemente, temos de reduzir tudo à prática da presença imediata do que estivermos fazendo, sem expectativas, sem julgamentos e sem opiniões. Também não devemos ter em mente quaisquer conceitos de que estamos envolvidos numa batalha contra o “demônio”, ou de que estamos lutando ao lado do “bem”. Ao mesmo tempo, não devemos pensar em termos de limitação, no sentido de não nos ser permitido ter pensamentos ou mesmo de pensar sobre o “Eu” [...].
Chögyam Trungpa, Meditação na Ação (Editora Cultrix, São Paulo, 1995, do original de 1969)
Nota do blog: a foto acima é para reforçar que, como dito por Trungpa Rinpoche, meditação não é ginástica mental, não se trata de uma aeróbica espiritual... O único esforço é o do não-esforço, dito em outras palavras numa postagem que trata do mesmo tema acima Tensão sem nenhuma intenção, do livro A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen.
Para ler uma postagem complementar a este tema, trecho de um texto da discípula de Trungpa Pema Chödrön, em Inglês, por favor acesse o blog irmão zentobe em:
http://zentobe.blogspot.com/2009/03/key-is-to-wake-up.html
10:50 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: meditação, apranihita, ego, expectativas, chögyam trungpa
11.03.2009
Temos de ser corajosos

Continuando com o tema da meditação sem objetivo, trago hoje o trecho de um instigante ensinamento de Trungpa Rinpoche:
A primeira etapa do gompa [meditação] consiste em nos questionarmos: “Quem sou eu?” – embora isso não seja realmente uma pergunta e sim uma declaração, porque “Quem sou eu?” contém a resposta. O importante é não começar do “Eu” e, então, tentar alcançar alguma coisa, mas começar diretamente pelo objeto. Em outras palavras: iniciarmos a verdadeira meditação sem nenhuma meta, sem o pensamento de “Eu quero conseguir”. Como não sabemos “Quem sou eu?”, não poderíamos começar pelo “Eu”, de modo algum, e começamos até a aprender a partir desse ponto. [...] Em primeiro lugar, não devemos pensar em termos de “Eu”: “Eu quero conseguir”. Como não há ninguém para conseguir alguma coisa, e ainda nem mesmo entendemos isso, não devemos tentar preparar nada para o futuro. [...] Não devemos começar esperando nenhum tipo de recompensa. Não deve haver esforço, nem tentativa de alcançar qualquer coisa. Poderíamos então pensar: “Como não há um objetivo determinado e não há nada a atingir, isso não seria um tanto quanto enfadonho? Não é o mesmo que não estar em nenhum lugar?” Bem, esse é o ponto principal. Normalmente, fazemos as coisas porque desejamos conseguir algo; nunca fazemos alguma coisa sem antes pensar: “Porque...” “Estou tirando férias porque quero relaxar, quero um descanso.” “Vou fazer tal coisa porque acho que seria interessante.” Assim, cada ação, cada passo que damos está condicionado pelo ego. [...] Meditar sem nenhuma finalidade pode parecer maçante, mas o fato é que não temos coragem suficiente para nos dedicarmos a isso e fazer uma tentativa. Temos de ser corajosos de alguma forma. Como estamos interessados a desejamos prosseguir, a melhor coisa seria fazê-lo com perfeição e não começar com muitos objetos, mas apenas com um e nos envolvermos completamente com ele. Pode não parecer interessante, pode não ser excitante o tempo todo, mas excitação não é a única coisa a ser obtida e temos também de desenvolver a paciência. Temos de nos predispor a correr o risco e, nesse sentido, a usar nossa força de vontade.
Chögyam Trungpa, Meditação na Ação (Editora Cultrix, São Paulo, 1995, do original de 1969)
Notas do blog: Recordo-me sempre de uma frase desse mestre, e que poderia resumir o fundamento da prática sem meta: A iluminação é permanente porque não a produzimos; apenas a descobrimos -- ela aparece contextualizada na postagem Descobrindo.
Na foto acima, os monges Thich Phap Hai e Chan Phap Luu, da tradição do mestre Thich Nhat Hanh, visitando a praia de Ipanema durante sua visita ao Brasil em 2008, quando ofereceram retiros e palestras no Rio e em São Paulo; mais fotos podem ser vistas em:
http://www.deerparkmonastery.org/community/image-gallery/...
10:05 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: meditação, apranihita, ego, expectativas, chögyam trungpa
10.03.2009
Já estamos aqui

A terceira porta da liberação é não-desejo ou não-meta, apranihita. Significa que não há nada para correr atrás, nada para obter ou realizar, nada a ser apanhado. […]
Todos temos tendência de lutar com o nosso corpo e nossa mente. Acreditamos que a felicidade é possível somente no futuro. Apercebermo-nos de que já chegamos, que não temos de ir para mais longe, que já estamos aqui, pode nos dar paz e alegria. Já há condições de suficiência para nossa felicidade. Para tocá-las precisamos apenas nos permitir estar no momento presente. O que estamos procurando para sermos felizes? Tudo já está aqui. Não precisamos colocar um objeto à nossa frente para corrermos atrás, crendo que, até que o alcancemos, não seremos felizes. O objeto está sempre no futuro, e este jamais poderemos agarrar. Nós já estamos na Terra Pura, no Reino de Deus. Já somos Buda. Precisamos apenas despertar e nos dar conta de que já estamos aqui.
Thich Nhat Hanh, Cultivando a Mente de Amor (tradução de Odete Lara, Editora Palas Athena, São Paulo, 2000)
11:03 Escrito em Prática/Practice | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: liberação, apranihita, budismo, thich nhat hanh, cultivando a mente de amor