29.03.2008
Sementes e frutas
Sementes quentes produzirão frutas quentes.
Sementes doces produzirão frutas doces.
(As Perguntas do Surata Sutra)
citado por Yongey Mingyur Rinpoche em A alegria de viver (Editora Elsevier/Campus, Rio de Janeiro, 2007).
(*) Notas do blog: a sabedoria popular diz isso de maneira ainda mais simples -- cada um colhe o que planta. Então, que tipo de sementes você tem cultivado? Qual a sua colheita atual, qual as perspectivas? O que é que você tem na cabeça? O que tem em mente, agora mesmo?

Para ver mais pinturas deste artista italiano por favor acesse:
http://www.wga.hu/index1.html
11:45 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: Surata Sutra, semente, fruto, colheita, plantio, Arcimboldo, Vertemnus
27.03.2008
Novo mundo maravilhoso
Há algum tempo, minha percepção é a de que a indústria alimentícia nada mais é do que a antesala da indústria farmacêutica. Numa ponta nos envenenam, para na outra nos fornecerem o veneno que seria antídoto. Mas eu ainda pensava em termos de "alimentos" até que um dia observei esses "alimentos" sendo descarregados num supermercado -- fosse pão ou leite, as caixas eram atiradas umas sobre as outras e grosseiramente empilhadas e depois carregadas aos trancos... O mesmo tratamento que receberam os fardos de papel higiênico e as caixas de sabão em pó... Então percebi que não havia alimentos sendo descarregados ali -- eram só mercadorias! O marketing das campanhas e as embalagens até nos fazem crer que aquilo é alimento -- mas não é. A maioria é no máximo comida para encher a barriga -- e só mais uma mercadoria. Visa lucro, não visa saúde nem bem estar. E pela primeira vez me vi achando conservantes e espessantes e outros "antes" realmente necessários, e muito coerentes com esse tipo de comida -- senão, depois de tanto processar, misturar e modificar nas indústrias, e depois transportar, sacudir, empilhar, e mais sacudir até chegar em casa e de novo empilhar... Na hora em que se abre a embalagem, não fossem todos os "antes", o que é que iríamos encontrar?
Há, no entanto, um novo mundo maravilhoso. Um novo paradgima de alimentação, que vai mesmo além dos restaurantes naturais, da alimentação vegetariana ou até mesmo da vegana... É o que o chef Flavio Passos, que estudou no Living Light Culinary Arts Institute, chama de Alimentação Viva, e com quem fiz recentemente um curso. Os alimentos são usados em sua forma natural, sem jamais passarem por qualquer fonte de calor, preservando assim seus nutrientes, cores, perfumes, sabores – com enormes benefícios ao conjunto de nossa saúde (física, emocional, mental). Citando o próprio chef:
Ao longo de vários anos de experimentação e vivência com diferentes ciências de nutrição foi possível perceber que o “tipo de combustível” que fornecemos para nossos corpos influencia não somente seu funcionamento biológico, mas também a qualidade das emoções e dos pensamentos que habitam em nosso interior. [...] Um exemplo: das verduras se obtém farto suprimento de magnésio, mineral responsável pelo bom funcionamento do coração, o relaxamento das artérias e de todo o organismo. Quando se ingere uma quantidade satisfatória deste mineral é possível observar uma tendência à tranqüilidade, à ausência de stress, à boa circulação sanguínea, a flexibilidade aumenta em nível físico e em nível mental. (*)
Através de seus cursos, o chef Flavio Passos passa esse novo paradigma de alimentação e estilo de vida – e é demonstrando grande conhecimento e propriedade que ele o faz, e com amorosidade e genuína alegria. O resultado são pratos nutritivos, deliciosos e absolutamente lindos (como o da foto abaixo ©Terra Dourada) e muito simples de se fazer em casa – com o benefício de não haver panelas para lavar depois! É também um incentivo a trazer criatividade e felicidade para a alimentação – atualmente, eu preparo meus alimentos sorrindo, assim como medito.
Para saber mais, por favor acesse o bonito site Terra Dourada, onde é possível encontrar, entre tantas coisas interessantes, a programação dos próximos cursos e eventos deste chef (para aqueles que lêem este blog a partir do estado do Rio de Janeiro, adianto que haverá cursos no dia 29 de Março em Nova Friburgo e no dia 31 no Rio).
Obrigado.

(*) Nota do blog: textos Você é o que come e Sucos Verdes: uma Revolução!, citados a partir do site Terra Dourada.
10:20 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (7) | Enviar por e-mail | Tags: alimentação viva, chef flavio passos, crudivorismo, alimentos crus, alimentação crua
26.03.2008
Mente e corpo saudáveis
Na vida moderna, as pessoas acham que seu corpo pertence a elas e que podem fazer com ele o que bem entenderem. Quando tomam essa decisão, a lei as apóia. Esta é uma das manifestações do individualismo. No entanto, de acordo com os ensinamentos do vazio, do não-eu e da interexistência, nosso corpo não é apenas nosso. Ele também pertence a nossos antepassados, a nosso pais, às gerações futuras e a todos os outros seres vivos. Todas as coisas, até mesmo as árvores e as nuvens, se reuniram para produzir a presença do nosso corpo. Conservar nosso corpo saudável é a melhor maneira de expressar nossa gratidão a todo o universo, a nossos antepassados, e também a não trair as gerações futuras. Devemos praticar este preceito com todas as pessoas. Se estivermos saudáveis, todos podem se beneficiar. Se formos capazes de sair da concha do nosso pequeno eu, perceberemos que estamos interligados a todos e a tudo, que cada ato nosso está relacionado com toda a humanidade e todo o universo. Manter mente e corpo saudáveis significa praticar a bondade com todos os seres.
Thich Nhat Hanh, Vivendo Buda, vivendo Cristo, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1997
(*) Nota do blog: sei que devo praticar desapego, mas continuamente me maravilho e emociono com as palavras do Thây Nhat Hanh... Outras considerações e orientações preciosas deste mestre estão na seqüência de postagens A raiva no cardápio, Consumindo a raiva e Comendo bem, comendo menos.
10:00 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: alimentação saudável, alimento espiritual, Thich Nhat Hanh, Vivendo Buda, vivendo Cristo
28.08.2007
O equilíbrio mente-corpo
Compartilho aqui o convite que recebi da professora Lia Diskin, da Associação Palas Athena, para a palestra O equilíbrio mente-corpo, uma abordagem tibetana da saúde, com o Dr. Pema Dorjee, Conselheiro do Departamento de Pesquisa do Tibetan Medical Institute - Dharamsala (Índia).
Do ponto de vista fisiológico, a medicina tibetana fala de um sistema de três “humores”, que podemos compreender como corrente vital, energias vitais e força vital. A saúde é o estado de equilíbrio entre eles que, por sua vez, estão vinculados a aspectos mentais. Sob esta perspectiva a mente desempenha um importante papel na manutenção da saúde, e portanto, da qualidade de vida.
5 setembro 2007
quarta-feira | 19h a 21h30
UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo
Auditório Marcos Lindenberg
R. Botucatu, 862 - Edifício dos Anfiteatros - Vila Clementino - São Paulo / SP (situada a alguns quarteirões da estação Santa Cruz do Metrô)
Entrada franca - Não haverá reservas de vagas. Sugere-se chegar com antecedência
Dr. Pema Dorjee é um dos primeiros e mais renomados médicos do Instituto Médico Tibetano, sediado em Dharamsala, na Índia. Pertence à primeira geração de médicos tibetanos formados no exílio. Completou seus estudos em 1974 sob a supervisão do renomado Dr. Phuntsok Barshi. Brilhante aluno, foi selecionado para fazer o período de residência sob a supervisão do Dr. Yeshi Dhonden, então médico de Sua Santidade o Dalai Lama. Após a residência, dirigiu várias clínicas do Instituto Médico Tibetano no Nepal e na Índia. Foi o ‘primeiro presidente do Conselho Médico Tibetano na Índia. Hoje é Conselheiro Técnico do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Médico Tibetano, o qual vem representando em vários simpósios e conferências internacionais, tendo escrito inúmeros livros e artigos sobre medicina tibetana. Traduziu também muitos livros didáticos sobre outras escolas médicas para o tibetano. Sua última obra se intitula Spiritual Medicine of Tibet [Medicina Espiritual do Tibet] e foi publicada pela Watkins. Esteve a cargo das palestras magnas do primeiro Congresso de Medicina Tibetana realizado na cidade de Washington em 2003 e do simpósio “Mind-Body Medicine at the Interface of Mood and Health”, realizado na Universidade Emory em novembro de 2004, que tornou-se referência mundial. Recebeu muitos prêmios e reconhecimentos e, entre eles, as prestigiosas Medalha de Ouro e Gema de Medicina Alternativa concedidas pelo Conselho Indiano de Medicina Alternativa.
Nos dias 03, 04 e 05 de setembro de 2007 setembro o Dr. Pema Dorjee ministrará o 1º Curso de Pós-Graduação em Medicina Tibetana já realizado no país, gratuito, em inglês sem tradução para o português. Para maiores informações favor contactar a UNIFESP. Obrigado.
10:08 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: medicina tibetana, Dr. Pema Dorjee, Lia Diskin, Associação Palas Athena
22.05.2007
A oração e a medicina
Na minha profissão de médico entramos numa idade de ouro da oração. A oração voltou a entrar nas clínicas e hospitais do país. Nos inícios da década de 1990, somente três das 125 escolas de medicina dos Estados Unidos ministravam cursos sobre espiritualidade. Atualmente (*), em torno de 90 escolas de medicina têm cursos que abordam a correlação entre espiritualidade e saúde. Os estudantes de medicina são instruídos a ouvir as histórias espirituais de seus pacientes. Estatísticas mostram que pessoas que seguem algum tipo de caminho religioso ou espiritual em sua vida – parece que não importa qual ele seja – vivem em média mais tempo do que aquelas que não escolhem um caminho espiritual, e têm em média incidência menor de doenças graves. Esses dados despertaram grande interesse na medicina, pois como nós, médicos, não deveríamos informar os pacientes de algo que pode ajudá-los a viver mais tempo e com mais saúde?
Mas, como podem os médicos responder a estas constatações? Um bom amigo meu, endocrinologista, ficou interessado na prova em favor da oração e decidiu que deveria adotar a oração como parte de sua prática médica. Mas, como fazê-lo respeitosamente e sem ser importuno? Mandou imprimir um pequeno texto, que a atendente dava a cada cliente que entrava em seu consultório. Dizia bem simplesmente: “Constatei que a oração é eficaz e acredito que ela pode ajudar você. Como seu médico, decidi orar por você. Mas, se não quiser que eu ore por você, assine este papel e devolva-o para a atendente, e eu não mais incluirei você em minhas orações”. Passaram-se muitos anos, e ninguém devolveu o papel assinado.
(*) Nota do blog: trecho do prefácio de Larry Dossey, MD, para um dos livros mais recentes de Thich Nhat Hanh, A Energia da Oração, editado no Brasil pela Editora Vozes (Petrópolis, 2007), e copyright original para Unified Buddhist Church, 2006.
Comecei a ler este livro, e trarei outros trechos dele para compartilhar aqui.
09:30 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: Thich Nhat Hanh, A Energia da Oração, Medicina, prática espiritual, prática médica, Larry Dossey
22.03.2007
Comendo bem, comendo menos
Algumas pessoas se refugiam na comida para compensar as tristezas e a depressão. Comer demais pode criar dificuldades para o aparelho digestivo, contribuindo para o surgimento da raiva. Também pode gerar um excesso de energia que se transforma na energia da raiva, do sexo e da violência, se não soubermos lidar com ela.
Quando comemos bem, comemos menos. Precisamos apenas da metade dos alimentos que ingerimos diariamente. Para comer bem, devemos mastigar a comida por cerca de cinqüenta vezes antes de engolir. Quando comemos bem devagar e transformamos o alimento que está na nossa boca numa pasta líquida, absorvemos muito mais os elementos nutritivos através do intestino. [...]
Comer é uma prática profunda. Quando como, aproveito cada porção da minha comida. Tenho consciência da comida, consciência do que estou comendo. Podemos praticar o comer consciente – saber o que estamos o que estamos mastigando. Mastigar a comida com muito cuidado e alegria. [...] Quando comemos conscientemente, não estamos ingerindo ou mastigando nossa raiva, ansiedade ou projetos. Estamos mastigando a comida que outras pessoas prepararam com amor, e isso, além de ser extremamente agradável, no faz muito bem.
[...]
Quando o alimento se torna liquido, misturado com saliva, ele já está semidigerido, e quando chega ao estômago e ao intestino, a digestão se torna extremamente fácil. [...] Quando você come dessa maneira, ingere naturalmente uma quantidade menor de alimentos.
Muitos de nós em Plum Village – nosso centro de prática na França – experimentamos essa maneira de comer e mastigar conscientemente, bem devagar. Tente comer desse modo. Vai ajudar seu corpo a se sentir muito melhor, o que será excelente para seu espírito e sua consciência.
[...] Se você conseguir comer dessa maneira, comprará menos alimentos e assim poderá comprar alimentos cultivados organicamente, que são mais caros, incentivando os agricultores que fizeram a opção de cultivá-los.
Thich Nhat Hanh, Aprendendo a lidar com a Raiva, Sabedoria para a Paz Interior, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2003
http://www.plumvillage.org/

Em Plum Village.
10:00 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: Thich Nhat Hanh, alimentação, dieta, orgânicos, Plum Village
21.03.2007
Consumindo a raiva
Thich Nhat Hanh nos diz, em seu livro Aprendendo a lidar com a Raiva, Sabedoria para a Paz Interior (vale citar que no original em Inglês o título do livro é simplesmente Anger, ou seja, Raiva. No Brasil, foi publicado pela Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2003):
Nós não ingerimos a raiva apenas através dos alimentos, mas também através dos olhos, ouvidos e com a consciência. O consumo de artigos culturais também tem relação com a raiva. Por isso, desenvolver uma estratégia de consumo é extremamente importante.
Os artigos e reportagens que lemos nas revistas e os programas a que assistimos na televisão também podem ser tóxicos, por causa da raiva e frustração que contêm. Os filmes são como um bife ou um ovo. Se encerram raiva, ao consumi-los estamos colocando para dentro de nós raiva e frustração. Os artigos de jornais e até mesmo as conversas podem conter muita raiva.
Pense um pouco nas vezes em que, depois de uma hora de conversa, as palavras de uma outra pessoa envenenaram você com uma grande quantidade de toxinas. Essa raiva ingerida certamente se expressará mais tarde. É por isso que precisamos estar permanentemente atentos e conscientes com relação ao que consumimos. Quando você ouve o noticiário, lê um artigo no jornal, vê um filme ou discute um assunto com outras pessoas, está assimilando o mesmo tipo de toxinas que ingere quando come de uma forma inconsciente.
Outros mestres nos alertam sobre isso, e agora me lembro de um trecho da revista Vida Simples (edição 20, Setembro 2004):
O mestre armênio Georges Gurdieff (1866 - 1949) dizia que nos nutrimos de três alimentos principais: comida, ar e impressões -- aquilo que nos chega pelos sentidos. Ele também afirmava que podemos ficar um tempo sem comida e alguns minutos sem ar, mas nem um único segundo sem impressões. Elas estão constantemente nos alimentando. Isto é, segundo Gurdieff, ao dar sua garfada de arroz e feijão diante da tevê vendo as cenas da guerra do Iraque, você engole junto todas as impressões -- e emoções negativas -- que você associa à guerra do Iraque.
Ou seja, temos de refletir sobre nossos hábitos. Ler jornal, ligar a televisão ou acessar a internet não é tão inócuo assim. Você está colocando para dentro da sua casa o que quer que esteja passando na tv, ou pelas páginas dos jornais e da internet. Violência, corrupção, avidez: o assassinato que acontece no filme está acontecendo na sua sala, o político desonesto vem te humailhar na sua casa, a pessoa estuprada está sendo violentada diante dos seus olhos. É isso.
Mas estou me repetindo, pois já havia feito esta reflexão em um outro post:
http://paraserzen.blogspirit.com/archive/2006/10/19/o-qua...
11:05 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: Thich Nhat Hanh, Georges Gurdieff, alimentação, impressões, mídia, televisão, internet
20.03.2007
A raiva no cardápio
A raiva, a frustração e o desespero que sentimos têm muita relação com o nosso corpo e com os alimentos que ingerimos. Precisamos, portanto, cuidar bem da nossa alimentação para nos protegermos contra a raiva e a violência. A maneira como cultivamos os alimentos, o tipo de comida que ingerimos e o modo como comemos podem trazer a paz e aliviar o sofrimento.
Nossa comida desempenha um papel muito importante na raiva que sentimos. Os alimentos podem conter raiva. Quando comemos a carne de um animal que estava com a doença da vaca louca, a raiva está presente nessa carne. Esta é uma constatação óbvia, mas precisamos também prestar atenção nos outros tipos de alimentos que ingerimos. O ovo ou o frango que comemos também podem conter uma grande quantidade de raiva. E, se comermos a raiva, expressamos a raiva.
Hoje em dia, as galinhas são criadas em larga escala em fazendas onde não podem andar, correr e ciscar. São alimentadas exclusivamente pelos seres humanos e mantidas em pequenas gaiolas sem poder se mexer, sendo obrigadas a ficar de pé noite e dia. Pense na possibilidade de você não ter o direito de andar ou correr. Imagine ter que permanecer noite e dia no mesmo lugar. Você enlouqueceria. É isso o que acontece com as galinhas: ficam loucas.

Para que as galinhas produzam mais ovos, criam-se o dia e a noite artificiais, usando uma iluminação com o objetivo de fazer dias e noites mais curtos, para que as galinhas ponham mais ovos. Essas aves acumulam muita raiva, frustração e sofrimento, e expressam esses sentimentos atacando as galinhas que estão perto delas, usando o bico para ferir as outras. Com isso elas sangram, sofrem e morrem. Para evitar que a frustração faça com que as galinhas ataquem umas às outras, os criadores agora partem seus bicos.
Pense nisso: quando você come a carne ou o ovo de uma dessas galinhas, está ingerindo raiva e frustração. Preste atenção. Tome cuidado com o que você come. Se ingerir raiva, você terá e expressará raiva. Se comer desespero, sentirá e manifestará desespero. Se engolir frustração, expressará frustração.

Temos que comer ovos alegres de galinhas felizes. Precisamos beber um leite que não venha de vacas raivosas. Deveríamos tomar o leite orgânico de vacas criadas de um modo natural. É preciso haver um grande movimento que estimule e apóie os fazendeiros, encorajando-os a criarem seus animais da maneira mais respeitosa possível. Também precisamos comprar legumes e verduras cultivados organicamente.
Thich Nhat Hanh, Aprendendo a lidar com a Raiva, Sabedoria para a Paz Interior, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2003
10:45 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: Thich Nhat Hanh, Aprendendo a lidar com a Raiva, raiva, frustração, alimentação, galinhas, ovos
08.01.2007
Resolução de Ano Novo
Para aqueles que exageraram nas comilanças de final de ano, ou que o fazem a cada fim-de-semana, um conselho que vale para todos os dias:
Não perturbeis o trabalho dos anjos no vosso corpo comendo com muita frequência.
(Evangelho essênio)
07:30 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: espírito, alimentação, evangelho essênio, anjos
09.11.2006
7> Mudrás da respiração
A inspiração une e reune tudo o que é justo;
a expiração libera e consuma, vencendo toda
restrição.
(Mestre Kenzo Awa)
Gostaria de indicar alguns mudrás usados pelo Jin Shin Jyutsu que facilitam e estimulam a respiração. Podem complementar algum exercício respiratório que você já faça, ou simplesmente ajudar a trazer a sua percepção e consciência para a respiração, o que é básico para quaisquer exercícios respiratórios.
Em tempo: mudrás, neste texto, são posições específicas dos dedos, em que eles se unem de formas variadas. Com mais abrangência, no livro Mudrás, As mãos como símbolos do cosmos (Editora Pensamento), Ingrid Ramm-Bonwitt explica que mudra, uma palavra com muitos significados, é caracterizada como gesto, posicionamento místico das mãos, como selo ou também como símbolo. Estas posturas simbólicas dos dedos ou do corpo podem representar plasticamente determinados estados ou processos de consciência. Mas as posturas determinadas podem também, ao contrário, levar aos estados de consciência que simbolizam.
Do livro O Toque da Cura, com seu característico otimismo: É animador saber que tudo o que precisamos para nos harmonizar com o universo -- os dedos das mãos e os dedos dos pés -- está conosco o tempo todo. Não precisamos ter medo de tê-los extraviado ou esquecido em algum lugar. Assim como ocorre com a respiração, os dedos e os mudras estão sempre à disposição, literalmente ao alcance da mão.
Entre os mudrás indicados pelo Jin Shin Jyutsu, dois estão entre os mais simples de descrever, e que confesso ser meus prediletos:
Expirando a sujeira, o pó e a fuligem grudenta - Toque a palma dos dedos médios direito e esquerdo, enquanto os outros dedos das duas mãos se entrelaçam. Do livro O Toque da Cura : essa posição dos dedos libera a tensão e o estresse diários acumulados na cabeça, nos pulmões, nas funções digestivas, no abdome e nas pernas. Além disso, ela fortalece a capacidade de expirar e descarrega acúmulos de sujeira, pó e fuligem grudenta.
Inspirando o fôlego purificado da vida - Encoste as unhas dos dedos médios direito e esquerdo uma na outra. Os dedos restantes podem ou não estar se tocando, mas ficam relaxados. Do livro O Toque da Cura: essa posição libera a tensão nas costas e promove uma sensação de bem-estar geral. Ela também fortalece nossa capacidade de inspirar e de receber o fôlego purificado da vida.
Obviamente, ao fazer o mudra que focaliza a inspiração estaremos também expirando, assim como ao fazer o mudra da expiração não deixaremos de inspirar. Mas dividir a respiração nestes dois movimentos, o de inspirar e o de expirar, muitas vezes facilita nossa percepção de onde colocamos nosso esforço, onde está nossa ansiedade e sofreguidão, ou onde está o bloqueio -- se no receber ou no dar, no prender ou no soltar.
Mesmo que seja difícil crer no simbolismo desse gesto -- mudra --, é sempre possível perceber que dele resulta a união de, no mínimo, duas coisas diferentes. Uma mão com outra mão. A esquerda com a direita. O positivo com o negativo, talvez… ou já estamos no campo do simbólico novamente, desencorajando os céticos de plantão? Um dedo com outro dedo que não é ele mesmo, nisso concordamos. Uma polaridade e outra.
O que quero dizer é que, por menos interpretações que os céticos permitam, são duas coisas diferentes realizando a união. Disso, na natureza e na realidade que experimentamos, nasce sempre uma outra coisa. No mínimo, a união. Do homem e da mulher, uma criança, ou um relacionamento. Do azul e do amarelo, o verde. E dos seus dedos?
Experimente. Não peço que acredite. Nem que corte seus dedos fora. Apenas que os junte. E tente.
Nem crédulo, nem cético.
Não analise. Harmonize.
por Marcelo Ferraz de Abreu, terapeuta certificado de Jin Shin Jyutsu
09:10 Escrito em Saúde/Health | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: Mudrás, mudras, respiração, inspiração, expiração, fôlego, Jin Shin Jyutsu