31.03.2009

Atravesse somente na faixa

O caminho de buda está sob o calcanhar de todos.


Eihei Dogen (1200-1253), Pautas para o estudo do caminho (Gakudo Yojin-Shu)


A Lua numa Gota de Orvalho – Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi (Editora Siciliano, São Paulo, 1993)



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26.03.2009

O nascimento a cada momento

Há três anos atrás, o paraserzen nascia com a postagem Contemplando as florescências do pessegueiro e percebendo o caminho, poema do Mestre Zen Eihei Dogen (1200-1253), e hoje trago mais um trecho deste mestre e do mesmo livro, no comentário de Kazuaki Tanahashi. Este continua sendo meu livro de cabeceira mas no momento não está lá, e sim sobre a mesa "de estudos" -- embora interesse mais manter o insight e a experiência desse nascimento a cada momento.

Obrigado.


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A lua
residindo em meio à
mente serena;
vagalhões penetram
na luz.

Este poema escrito por Dogen, intitulado “Sobre a prática do zazen”, ilustra o aspecto dinâmico da concentração na serenidade. A luz do luar, que parece imóvel, bruxuleia sobre as ondas do oceano, que se quebram ruidosamente contra as rochas, rebentando em gotículas. Milhões de partículas de luz se estilhaçam, se espalham e se fundem. Para Dogen, a prática da meditação implica essa espécie de permeação mútua entre uma “luz” individual e a atividade de todas as coisas. Embora a prática de uma pessoa seja parte da prática de todos os seres despertados, cada prática individual é indispensável, pois atualiza e completa a atividade de todos como um buda.

Esta meditação é fonte de compromisso criativo com a vida. Enquanto esta é vista como continuação do nascimento, momento após momento, a meditação é uma experiência total deste “nascimento” a cada momento. Desse modo, uma pessoa não mais vive um momento como um segmento da vida ou recebe a vida passivamente, mas está totalmente comprometida de modo ativo e criativo. Dogen explica esta experiência usando a metáfora de um barco:

O nascimento é exatamente como navegar num barco. Levantai as velas e remai [...] navegai no barco e vosso navegar faz do barco o que ele é.



A Lua numa Gota de Orvalho – Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi (Editora Siciliano, São Paulo, 1993)


Nota do blog
: foto (recorte) moon reflections on blue, por Hogne; para ver mais fotos desta bela série por favor acesse:
http://www.flickr.com/photos/htjems/

17.09.2006

Apego e aversão

Contudo, no apego as florescências caem e na aversão se espalham as ervas daninhas.

Eihei Dogen (1200-1253)


(do meu livro de cabeceira A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, 1993)

(esta é a quarta frase de "Realizando o ponto fundamental", onde as flores representam o despertar e as ervas daninhas a delusão. A prática do não-apego faz parte do caminho do buda)

16.09.2006

o chá de Zhaozhou

Zhaozhou, o Grande Mestre Zhenji, perguntou a um monge recém-chegado: "Estivestes aqui antes?"
O monge disse: "Sim, estive".
O mestre disse: "Tomai um pouco de chá".
Novamente ele perguntou a um outro monge: "Estivestes aqui antes?"
O monge disse: "Não, não estive aqui antes".
O mestre disse: "Tomai um pouco de chá".
O diretor do templo perguntou, então, ao mestre: "Por que dizeis 'tomai um pouco de chá' para alguém que já esteve aqui e para alguém que não esteve?"
O mestre disse: "Diretor". Quando o diretor respondeu, o mestre disse: "Tomai um pouco de chá".
A palavra de Zhaozhou "aqui" não significa o alto da cabeça, as narinas, ou Zhaozhou. Como "aqui" salta fora de "aqui", um monge disse "Eu estive aqui" e outro disse "Eu não estive aqui". Isto significa "O que há agora?" Eu apenas digo: "Eu estive aqui, eu não estive aqui".
Por conseguinte, meu falecido mestre disse:

Na vossa imagem da taverna,
Quem vos encara, bebendo o chá de Zhaozhou?


Assim, a atividade diária dos ancestres de buda nada mais é do que tomar chá e comer arroz.


Eihei Dogen (1200-1253)



(do meu livro de cabeceira A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, 1993)

01.06.2006

Retiro na montanha

Nem mesmo vou parar
no córrego do vale,
com medo de que
minha sombra
possa escoar para o mundo.


Eihei Dogen (1200-1253)



(do meu livro de cabeceira A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, 1993)


e apesar da cabeceira da minha cama estar tão longe... a internet tem lá os seus milagres!


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04.04.2006

Sobre a não-dependência da mente

Aves aquáticas
vão e vêm.
Seus rastros desaparecem,
mas elas jamais
esquecem seu curso.



Eihei Dogen (1200-1253)


(do meu livro de cabeceira, A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, São Paulo, 1993)

30.03.2006

Atividade indivisa

O nascimento é exatamente como navegar num barco. Levantai as velas e remai [...] navegai no barco e vosso navegar faz do barco o que ele é.



Eihei Dogen
(1200-1253)


(do meu livro de cabeceira, A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, São Paulo, 1993)

24.03.2006

A natureza em-si-mesma da água

Ora, quando dragões e peixes vêem a água como um palácio, é exatamente como seres humanos vêem um palácio. Eles não pensam que ela flui. Se um estranho lhes diz: 'O que vedes como palácio é água corrente', os dragões e peixes ficam atônitos, exatamente como ficamos ao ouvir as palavras 'as montanhas fluem'. Entretanto, deve haver alguns dragões e peixes que entendam que as colunas e pilares dos palácios e pavilhões são água fluente.


Eihei Dogen (1200-1253)



(do meu livro de cabeceira A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, 1993)

Contemplando as florescências do pessegueiro e percebendo o caminho

No vento da primavera
as florescências do pessego
começam a se destacar.
Dúvidas não fazem crescer
ramos e folhas.



Eihei Dogen (1200-1253)



(do meu livro de cabeceira A Lua numa gota de orvalho, Escritos do Mestre Dogen, organizado por Kazuaki Tanahashi, Editora Siciliano, 1993)