19.06.2009

O nascimento da borboleta

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Esta experiência é única. Nela ocorre algo que nunca poderemos esquecer e que não poderemos também explicar. [...] Em um itinerário espiritual, deve-se fazer desta experiência uma oportunidade de iniciação. Não considerá-la como algo que jamais se reproduzirá ou como uma graça maravilhosa que queremos que se repita a todo instante. Porque esta experiência é uma revelação de nossa natureza verdadeira.

[...] São momentos em que, efetivamente, a paz dura um pouco mais e onde, no interior de nossa mente, o silêncio torna-se algo real. [...] é preciso acolher estes momentos gratificantes com gratidão, mas, ao mesmo tempo, não se apegar a eles e não procura-los. [...] Porque, se nós nos apegamos a estes momentos, se quisermos reencontrá-los sem cessar, em lugar de nos ajudarem a avançar, eles nos param, nos bloqueiam, fazendo-nos entrar em uma espécie de complacência com eles. [...] A vida, porém, é uma grande mestra e se encarrega de tirar nossas ilusões.

[...] E o sinal de que a experiência numinosa realmente nos tocou é que não podemos mais viver da mesma maneira que antes. [...] Porque podemos ter tido experiências maravilhosas e magníficas, mas concretamente, em que elas mudaram as nossas vidas? O que mudou em nossa vida cotidiana? Dessa maneira, podemos ter necessidade de uma prática, de um método em nosso itinerário.

[...] ao final de um itinerário espiritual não sobra muito da imagem que se tinha de si mesmo no início do processo. É como se houvesse uma morte de si mesmo. Mas esta morte não é o fim. O que alguns chamam de morte da lagarta, outros chamam de nascimento da borboleta.

 

Jean-Yves Leloup em Terapeutas do Deserto (com Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis, 2002)

 

Nota do blog: só gostaria de compartilhar o melhor conselho que ouvi em toda a minha vida, e que pela primeira vez ouvi claramente da Lia Diskin, da Associação Palas Athena, e que depois ouvi de muitos outros mestres: Minha gente, hay que praticar.

É este o caminho.

12.05.2009

A mãe do Gueto

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Gostaria de compartilhar o comunicado que recebi da Associação Palas Athena:

 

[Hoje] faz um ano da morte de um dos monumentos de humanidade e destemor: Irena Sendler [foto acima]. Em plena juventude ela enfrentou a crueldade hedionda das tropas nazistas que haviam invadido sua terra natal, a Polônia. Assistente social na época, resgatou do extermínio seguramente 2.500 crianças do Gueto de Varsóvia.

Em tempos como estes, quando os fantasmas das idéias totalitárias parecem ressurgir, e se questiona a inquestionável ignomínia, a vergonha do holocausto, é necessário lembrar para não repetir.

O artigo [cujo link segue] abaixo, de Lia Diskin, foi publicado originalmente na Revista 18, Centro da Cultura Judaica de São Paulo, edição set/out/nov. de 2008, e aqui reproduzido em homenagem à singularidade inspiradora de uma assistente social que fez de sua profissão um ato de fé.

Clique nesta linha para ler o artigo A Mãe do Gueto de Varsóvia, Irena Sendler.

Para acessar o site da Palas Athena, cujo link fica sempre disponível no box Sites recomendados, na coluna à esquerda da sua tela, por favor dirija-se para: www.palasathena.org.br

Desfrute, inspire-se.

Obrigado!

28.02.2009

A Vida num Pote de Vidro

A Mãe do Gueto de Varsóvia – Irena Sendler

O que leva uma pessoa a pôr em risco sua própria vida para salvar outras? Mesmo quando não tem com elas vínculos nem partilha de sua identidade, ideologia ou religião? Estas são as perguntas que teimam na minha mente após saber dos feitos de Irena Sendler.

A conheci quando já não era possível conhecê-la. Em 13 de maio de 2008 foi publicada uma breve nota de 11 linhas em O Estado de São Paulo: “Morreu ontem em Varsóvia, aos 98 anos, Irena Sendler, que salvou milhares de crianças judias durante a ocupação nazista da Polônia. Entre 1940 e 1943 Irena, que era assistente social, tirou 2500 crianças do Gueto de Varsóvia. Ela chegou a ser presa e torturada pela Gestapo em 1943, mas nunca revelou os nomes das crianças que salvou”.

No mesmo dia iniciei uma busca desesperada na internet, com o sentimento de haver perdido algo de muito precioso e singular. Perguntei a meus colegas e alunos se sabiam dela, se tinham livros ou documentos, relatos de testemunhas, crônicas de jornal. Ninguém lera, ninguém ouvira a seu respeito. Mas como, em um mundo que corre atrás de celebridades, que sabe o número do sapato desta ou daquela atriz, que esmiúça a intimidade de futebolistas, políticos, empresários, que sabe onde e com quem janta uma top model – como pode ter passado despercebida a trajetória de uma mulher que, nas palavras do rabino Michael Schudrich, “não somente salvou as crianças judias, mas também salvou a alma da Europa”?

Em 1965 Irena Sendler foi agraciada com a medalha “Justos entre as Nações do Mundo”, outorgada pelo Instituto Yod Vashem a não judeus que salvaram e protegeram judeus durante as atrocidades nazistas da II Guerra Mundial. Essa honraria ela não pode receber porque os líderes comunistas que governavam a Polônia de então proibiram sua saída do país. Recém em 1983, quando reiterada a distinção pela Suprema Corte de Israel, é que foi ao encontro das homenagens oferecidas em Jerusalém na Autarquia Nacional para Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto.

Contudo, sua vida e inusitada coragem emergiram do silêncio em setembro de 1999 pela curiosidade e criatividade de quatro jovens americanas que, instigadas pelo Prof. Norm Conard, começaram a pesquisar sua história. Na região rural do Kansas, na escola secundária protestante de Uniontown, o Prof. Conrad propôs a seus alunos que para celebrar o Dia Nacional da História criassem um projeto original, que fosse além das fronteiras e das personagens conhecidas, dos fatos já explorados. Apenas como sugestão mostrou um recorte do jornal News and World Report, cujo título era “Outros Schindlers”, e que mencionava Irena Sendler. Entre os alunos, quatro estudantes prontificaram-se a realizar a pesquisa, mas nunca imaginaram que esta as levaria a encontrar a própria Irena, viva, com 90 anos, morando ainda na Polônia. Estabeleceram contato, enviaram e receberam cartas, fotos, informações, documentos. Acabaram por escrever uma peça de teatro intitulada A Vida num Pote de Vidro, que apresentaram na própria escola em fevereiro de 2000. A comunidade toda envolveu-se no sucesso e logo chegaram convites de igrejas, sinagogas, centros culturais. A peça atravessou o país, alcançou o Canadá, a Europa e, finalmente, a própria Polônia. Já foi encenada mais de 300 vezes e hoje está disponível em DVD.

Para termos uma dimensão do valor desse resgate, e do impacto que provocaram as experiências vividas por Irena Sendler, basta dizer que até 2001, quando aconteceu o primeiro encontro das alunas da Uniontown com sua heroína na Polônia, havia apenas uma página sobre ela na internet, quando hoje podemos encontrar mais de 90.000 citações. Elas revelam a abnegação e destemor de uma jovem polonesa, cristã, que sobrepujou as ameaças ao seu instinto de sobrevivência e nos legou a mais alta realização de um ser humano: o amor incondicional.

Irena nasceu em 15 de fevereiro de 1910 nos subúrbios de Varsóvia, onde seu pai, na condição de médico, clinicava e atendia comunidades carentes. Dele aprendeu o sentido da solidariedade e o senso de responsabilidade profissional: quando a epidemia de tifo irrompeu em 1917 ele foi o único médico a permanecer na área infectada, o que o levou ao contágio e conseqüente morte.

Na década de 30 Irena ingressou na Universidade de Varsóvia, formou-se em Assistência Social e tomou contato com sentimentos e atitudes anti-semitas por parte dos estudantes, com quem manteve franca oposição. Já diplomada, ingressou no Departamento de Bem Estar Social, atendendo os refeitórios populares que acolhiam órfãos, anciãos e os pobres. Sua vocação ultrapassou a vocação de servidora pública – providenciava roupas, medicamentos e dinheiro para os necessitados, e os distribuía entre católicos e judeus indistintamente.

Em 1939 as tropas nazistas invadiram a Polônia e em outubro de 1940 criou-se em Varsóvia o “bairro judeu”, onde foram confinados todos os judeus da cidade. Em pouco mais de duas semanas a população dessa área passou de 160.000 pessoas para 400.000. Em 15 de novembro desse mesmo ano o governador alemão de Varsóvia, Hans Frank, criou oficialmente o gueto, que foi logo murado tornando-se o palco de crueldades inomináveis, sistemáticas e consecutivas visando um único propósito: o extermínio dos judeus. Também foi palco das ações heróicas de Irena, cuja indignação encarnou o voto de resistir à barbárie sabotando uma e outra vez – 2500 vezes! – o plano da “solução final”.

Como assistente social dos serviços públicos ela tinha autorização para entrar no gueto com um passe especial, o que lhe permitia livre trânsito, conhecimento da situação e, sobretudo, contrabandear comida, medicamentos e roupas. O racionamento de alimentos chegou a limites insuportáveis e as pessoas começaram a morrer de fome. No arquivo elaborado pelo historiador Emmanuel Ringelblum, resgatado depois da guerra entre as ruínas do gueto, lê-se: “Viver sem pão, sem nenhuma colher de comida quente durante anos atua como choque sobre a psique humana. Muitos, esgotadíssimos, foram acometidos de total apatia. Permaneciam deitados até que perdessem a força de se levantar. (...) Entre esses havia famílias inteiras com dez a doze pessoas. Permaneciam estendidos, imóveis, os rostos pálidos, olhares ardentes, engolindo saliva. Para eles tudo se tornava indiferente. Queriam apenas uma coisa, sentiam apenas um desejo: o de conseguirem um pedacinho de pão”.

Irena percebeu que seus esforços para mitigar o sofrimento só conseguiam prolongá-lo. Decidiu então iniciar a retirada de crianças de dentro do gueto – ao menos elas precisavam ter uma chance.

Extra-muros trabalhava a resistência do Zegota, uma organização clandestina, na qual assumiu a coordenação da Divisão das Crianças, cuja missão era, primeiramente, encontrar instituições de amparo, conventos e casas de família dispostos a correr o risco de abrigar as crianças que fossem resgatadas e, depois, obter documentos falsos para elas.

Antes, porém, era necessário convencer as mães, pais ou parentes que entregassem seus filhos a uma desconhecida. Muitos perguntavam, em desespero, por que deviam confiar nela. “Vocês não têm de confiar em mim”, respondia. “Mas não há mais o que fazer”. As informações em Varsóvia, fora e dentro do gueto, corriam à solta. No segundo semestre de 1941 já estavam em operação as deportações e traslados de milhares de judeus em vagões de gado, que levavam às câmaras de gás em Treblinka, aos fuzilamentos em massa, aos cemitérios a céu aberto repletos de moribundos... O abominável não deixava alternativa!

Planejamento coordenado, método e capacidade de descobrir vantagens nos recursos mais improváveis foram as vias que Irena encontrou para a escalada de resgates usando: 1) Túneis subterrâneos que levavam para fora, onde guardas poloneses haviam sido subornados para que “fechassem os olhos”. Pedia-se aos pais que vestissem as crianças com suas melhores roupas. 2) Crianças pequenas eram sedadas e levadas em malas, caixões de defunto, caixotes de ferramentas, baús ou similares. 3) Devido às freqüentes epidemias, e ao medo que os alemães tinham de se aproximar dos doentes, as crianças que conseguissem fingir uma doença, ou que estivessem realmente muito doentes, podiam ser retiradas numa ambulância. 4) Os carros e ambulâncias levaram um cão treinado para latir quando o veículo estivesse parado, assim o eventual choro de uma cri ança escondida não seria percebido pelo guarda que parasse o carro na saída do gueto.

Desse modo, durante um ano e meio de articulações clandestinas, foram salvas 2.500 vidas. Em 22 de julho de 1942 teve início a expulsão em massa dos habitantes do gueto de Varsóvia para os campos de extermínio de Treblinka. Em outubro desse ano o general da SS Jürgen Stroop informou a seu superior Friedrich Krüger que um total de 310.332 judeus do gueto tinham sido “transferidos”. Sobraram apenas 65.000 habitantes, considerados indispensáveis como escravos nas fábricas e oficinas da Varsóvia ocupada.

Em 20 de outubro de 1943 as atividades de Irena Sendler foram descobertas pela Gestapo, que a levou à prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada, tendo pernas e pés quebrados a pauladas – mas ela não revelou nomes, nem de seus companheiros do Zegota, nem das crianças que havia salvado. Foi sentenciada à morte. Os membros da Zegota agiram rápido: subornaram os responsáveis pela execução e no dia seguinte o nome de Irena Sendler integrava a lista dos poloneses executados. Sob a proteção de um pseudônimo, viveu escondida até o final da guerra – exatamente como as crianças que havia salvo.

Acabado o inferno, Irena desenterrou dois frascos de vidro que escondera no jardim de uma vizinha. Eles continham a lista dos verdadeiros nomes das crianças junto aos inventados nos documentos falsos. Era seu propósito que um dia as crianças pudessem retornar às suas famílias naturais e recuperar sua identidade judaica. Contudo, quase não havia sobreviventes – o heróico levante do gueto de Varsóvia consumira seus últimos habitantes. Constituído então o comitê de salvamento dos judeus sobreviventes, entregou os frascos de vidro a seu primeiro presidente, o Dr. Adolf Berman.

Em 1991 foi reconhecida como cidadã honoraria do Estado de Israel; em novembro de 2003 recebeu a mais alta condecoração polonesa: a Ordem da Águia Branca e também o Prêmio Jan Karski “Pela Coragem e Coração”. Foi indicada pelo governo da Polônia, em 2007, como candidata ao Prêmio Nobel da Paz; também nesse ano o Senado da República da Polônia, em resolução especial, homenageou Irena Sendler e o Conselho de Ajuda aos Judeus. Ainda em 2007 foi condecorada com a Ordem do Sorriso – a mais importante distinção concedida por crianças de todo o mundo.

Nunca considerou a si própria, nem permitiu que a investissem na condição de heroína. Em todas as entrevistas e homenagens ressaltou que trabalhava em equipe, que sem seus companheiros de resistência não teria sido possível tamanha ousadia. Em resposta ao convite para uma reunião em sua homenagem, respondeu: “A justificação para minha vida não são honrarias, mas sim a vida de cada uma das crianças salvas pela minha ajuda e a ajuda de incríveis mensageiros secretos que não vivem mais”.

Nenhuma honraria seria capaz de enaltecê-la o suficiente, e sem dúvida não precisou de reconhecimentos para validar sua coragem e amor. Somos nós que precisamos oferecer admiração e gratidão, pois no espelho de Irena Sendler, a despeito de todos os horrores de seu tempo, fica enaltecida a nossa própria humanidade.

Lia Diskin – Co-fundadora da Associação Palas Athena, coordenadora do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz – um programa da UNESCO. Recebeu da UNESCO o Diploma de Reconhecimento por sua contribuição na área de Direitos Humanos e Cultura de Paz durante as comemorações dos 60 anos da UNESCO.

10.03.2008

A prática da meditação

Um dos objetivos deste blog é estimular a prática espiritual -- em definido, a prática da meditação. Já são centenas de postagens falando sobre o assunto, e uma Categoria em separado, Prática/Practice, sempre disponível na coluna à esquerda da sua tela.

Às perguntas que às vezes recebo de como praticar meditação, onde aprender, com quem aprender, etc, eu só respondo citando os mestres, e através deste blog. E indico a Associação Palas Athena, em São Paulo, e este curso introdutório e sem caráter religioso ministrado pela maravilhosa professora Lia Diskin. A cada ano, renovo este oferecimento -- assim, se desejar ler mais, já discorri sobre o curso, que eu mesmo tomei, em Os princípios da meditação. Compartilho abaixo as comunicações da Palas Athena sobre os workshops de meditação ministrados pela Lia Diskin programados para 2008:

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Comunicamos a abertura das inscrições da nova turma, por terem esgotado as vagas do workshop dos dias 14, 15 e 16 de março. As inscrições para os dias 21, 22 e 23 de março podem ser efetivadas na recepção da Palas Athena, pessoalmente ou pelo site www.palasathena.org.br.

21, 22 e 23 de março | sex - 19h30 a 21h30 | sab - 9h30 a 17h30 | dom - 9h30 a 13h Workshop Atenção e Concentração nas Práticas Meditativas - módulo 1
Todas as culturas desenvolveram técnicas de atenção e de concentração. As técnicas diferem umas das outras, mas todas são consideradas instrumentos indispensáveis para familiarizar o ser humano consigo mesmo e com o Universo. A meditação, fruto amadurecido da atenção e da concentração, também teve suas modalidades na vida espiritual do Oriente e do Ocidente.

Neste curso teórico-prático serão abordadas técnicas de diversas tradições. Cada uma a seu modo aponta em direção à experiência do Sagrado, que não é patrimônio de nenhuma religião, mas abraça todas como o fio as contas de um colar.

Programa: Atenção, conceitos e objetivos. Unidirecional e com múltiplos focos - Concentração tendo por apoio os sentidos e seus objetos de percepção - Origens da meditação no Sudeste Asiático: os Vedas, as escolas ortodoxas e as heterodoxas - Budismo e suas três vias - Theravada, Mahayana e Tantrayana - História e expansão na Ásia Central - As práticas contemplativas no cristianismo oriental. Os Padres do Deserto - A experiência espiritual além das fronteiras históricas e culturais
- A meditação como via de conhecimento, de autoconhecimento e compreensão.


16, 17 e 18 mai | sex - 19h30 a 21h30; sab - 9h30 a 17h30 e dom - 9h30 a 13h Workshop Atenção e concentração nas práticas meditativas módulo 2
Dando continuidade às modalidades meditativas desenvolvidas em nosso módulo 1, focalizaremos aquelas que trabalham com os padrões mentais, as emoções e a construção de uma motivação crescente e edificante. Em vista do interesse pela meditação em diversas áreas do conhecimento, é oportuno lembrar que o objeto destas práticas é verter no cotidiano a clareza mental, o apaziguamento do coração e a serenidade conquistados por meio das técnicas.


15, 16 e 17 ago | sex - 19h30 a 21h30; sab - 9h30 a 17h30 e dom - 9h30 a 13h Workshop Atenção e concentração nas práticas meditativas módulo 3
Os conceitos transitam com a própria experiência humana, desse modo ganham consistência à medida que aquilo que designam torna-se mais familiar. Hoje temos, no mínimo, cinco usos da palavra meditação, os quais serão trabalhados neste módulo. Nas últimas décadas a ciência tem adentrado na investigação de práticas que eram consideradas restritas à área da espiritualidade. Muito se fala hoje a respeito dos efeitos psicofisiológicos de práticas como a meditação e o yoga, e igualmente sobre os resultados da oração. Respeitáveis cientistas estão voltando sua atenção para os possíveis benefícios à saúde mental e física que estas práticas podem trazer quando realizadas com verdadeiro envolvimento e disciplina.

Docente dos cursos: Lia Diskin, co-fundadora e professora da Palas Athena.

22.01.2008

Renúncia

Se existe o desespero, é porque ainda existe um "eu" que se desespera, que se deleita na dor e que se leva muito a sério. Se renuncio a este eu, renuncio, ao mesmo tempo, ao desespero.


Jean-Yves Leloup, em sua autobigrafia O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003


(*) Nota do blog: sobre o texto acima, um amigo comentou que parece um convite ao suicídio -- não é, absolutamente, mas sim um incitar a viver em plenitude, com gratidão e consciência. Não é muito diferente do que já nos disse Thich Nhat Hanh, na postagem A flor do insight: Você pode renunciar porque você não precisa guardar nada para si mesmo. Você não é mais um “eu” frágil e pequeno que precisa ser preservado de toda maneira possível. Como a felicidade de seus semelhantes também é a sua felicidade, você agora está cheio de alegria...

"Há que praticar, minha gente" -- nos diz a Lia Diskin. Há que praticar, dizem todos os mestres. Há que praticar.

28.08.2007

O equilíbrio mente-corpo

Compartilho aqui o convite que recebi da professora Lia Diskin, da Associação Palas Athena, para a palestra O equilíbrio mente-corpo, uma abordagem tibetana da saúde, com o Dr. Pema Dorjee, Conselheiro do Departamento de Pesquisa do Tibetan Medical Institute - Dharamsala (Índia).

Do ponto de vista fisiológico, a medicina tibetana fala de um sistema de três “humores”, que podemos compreender como corrente vital, energias vitais e força vital. A saúde é o estado de equilíbrio entre eles que, por sua vez, estão vinculados a aspectos mentais. Sob esta perspectiva a mente desempenha um importante papel na manutenção da saúde, e portanto, da qualidade de vida.

5 setembro 2007
quarta-feira | 19h a 21h30
UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo
Auditório Marcos Lindenberg
R. Botucatu, 862 - Edifício dos Anfiteatros - Vila Clementino - São Paulo / SP (situada a alguns quarteirões da estação Santa Cruz do Metrô)

Entrada franca - Não haverá reservas de vagas. Sugere-se chegar com antecedência


Dr. Pema Dorjee é um dos primeiros e mais renomados médicos do Instituto Médico Tibetano, sediado em Dharamsala, na Índia. Pertence à primeira geração de médicos tibetanos formados no exílio. Completou seus estudos em 1974 sob a supervisão do renomado Dr. Phuntsok Barshi. Brilhante aluno, foi selecionado para fazer o período de residência sob a supervisão do Dr. Yeshi Dhonden, então médico de Sua Santidade o Dalai Lama. Após a residência, dirigiu várias clínicas do Instituto Médico Tibetano no Nepal e na Índia. Foi o ‘primeiro presidente do Conselho Médico Tibetano na Índia. Hoje é Conselheiro Técnico do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Médico Tibetano, o qual vem representando em vários simpósios e conferências internacionais, tendo escrito inúmeros livros e artigos sobre medicina tibetana. Traduziu também muitos livros didáticos sobre outras escolas médicas para o tibetano. Sua última obra se intitula Spiritual Medicine of Tibet [Medicina Espiritual do Tibet] e foi publicada pela Watkins. Esteve a cargo das palestras magnas do primeiro Congresso de Medicina Tibetana realizado na cidade de Washington em 2003 e do simpósio “Mind-Body Medicine at the Interface of Mood and Health”, realizado na Universidade Emory em novembro de 2004, que tornou-se referência mundial. Recebeu muitos prêmios e reconhecimentos e, entre eles, as prestigiosas Medalha de Ouro e Gema de Medicina Alternativa concedidas pelo Conselho Indiano de Medicina Alternativa.

Nos dias 03, 04 e 05 de setembro de 2007 setembro o Dr. Pema Dorjee ministrará o 1º Curso de Pós-Graduação em Medicina Tibetana já realizado no país, gratuito, em inglês sem tradução para o português. Para maiores informações favor contactar a UNIFESP. Obrigado.

06.04.2007

Três caminhos

Começa agora em Abril o maravilhoso programa de workshops da Associação Palas Athena, em São Paulo, e que gosto sempre de recomendar por ter profunda gratidão a esta casa que de melhor em muito sempre acrescenta à minha vida. O primeiro deles é O caminho do guerreiro, do santo e do sábio, e reproduzo abaixo o texto explicativo do site da própria Palas Athena:

Três vias que ilustram os modos de relacionamento consigo mesmo, com os outros e com as circunstâncias que alimentam os grandes temas da nossa vida. Essas vias também expressam as diferenças características de uma cultura, um mito, uma filosofia ou tradição espiritual.

O desafio - representado por Prometeu, que na imagética grega rouba o fogo sagrado e o oferece aos homens, a fim de libertá-los de uma experiência medíocre e submissa.

A compaixão - vivida por abnegados de todos os tempos e culturas, tendo em São Francisco de Assis uma referência familiar a todos nós. Renúncia e doação, vida de serviço e acolhimento.

A lucidez - fruto da experiência comprometida com a aprendizagem, visa compreender o texto e o contexto onde os personagens que vestimos criam cenários e enredos, sem conseguir esgotar o repertório sempre recriado da vida.

Nenhum desses modelos é superior ao outro - são apenas diferentes. Reconhecer qual é o nosso tom e o daqueles que nos rodeiam, já é abrir caminhos para uma sadia convivência.


Docente: Lia Diskin, co-fundadora da Palas Athena.

A Associação Palas Athena fica na Rua Leôncio de Carvalho, 99, Paraíso, São Paulo - SP. Para maiores informações por favor ligue para (11) 3266 6188 ou acesse o link:

http://www.palasathena.org.br/conteudo.asp?IDConteudo=92