23.06.2009

Para a sua iluminação

Cada um coloca seu ponto final onde quer, onde pode. Colocá-lo o mais longe possível, obriga-nos a sermos um pouco mais sábios e um pouco menos pretensiosos.


A frase acima, de Jean-Yves Leloup (em O absurdo e a graça, Verus Editora, Campinas, 2003) conversa com estes dias e o vídeo abaixo, da música Berlin, colaboração de Alva Noto -- músico que compõe a partir de sons cotidianos desprezados, como modems, impressoras, fax, fotocopiadoras, chiados, interferências (que, com sua milagrosa estética da estática, recorda-me de que todas as coisas são iluminadas, belas, contém em si Amor) --, com o mestre Ryuichi Sakamoto ao piano, autor entre outras maravilhas das trillhas sonoras de Merry Xmas, Mr. Lawrence e The Sheltering Sky. Microscópica delicadeza e sutileza cirúrgica também no vídeo de Karl Kliem-- a derradeira canção de ninar para o paraserzen.

União, desunião, reunião -- para a sua iluminação.

 

 

Não apenas assista ao vídeo acima -- talvez melhor visualizado no escuro --, muito sutil, repleto de texturas (apesar da qualidade sofrível do Youtube). Por favor, enxergue. Perceba. Dê-se conta dos seus olhos, dê-se conta do fundo dos seus olhos. Funcionando agora mesmo. Dê-se conta do seu próprio olhar, desse olhar na moldura das suas pálpebras, desse olhar que vem do fundo, que vem de tudo, do conjunto... Neste exato momento. Desfrute dessa benção que é enxergar, esta maravilha disponível agora mesmo, da qual usufruimos sem fazer esforço. Você vê? Dê-se conta da luz que emana desta tela e que já não está fora, também está dentro, no mesmo momento, está na sua consciência -- agora mesmo! --, já não há dentro nem fora...

Não apenas escute esta música... De onde ela vem, para onde ela vai... Vindo de fora, indo para dentro... Agora, não há nenhum dentro nem fora, limite nenhum, há apenas agora, sempre agora... Por favor, desfrute da sua audição, desta graça maravilhosa, não simplesmente ouça -- tenha consciência do ouvir...

Assim como a respiração, sempre aqui, sempre aqui, sempre aqui... Agora mesmo, neste instante, aqui, diante desta tela... Aperceba-se... O que mais há? O Sol, a energia que anima esta tela, a água que jorra da torneira, o que mais -- tudo vindo de tão longe, e agora tão perto, tão agora, tão aqui, tornando possível este momento... É este momento que nos torna possíveis ou somos nós que tornamos possível este momento?... Nós somos -- e-s-t-e  m-o-m-e-n-t-o.

 

Se desejar, veja e ouça também Trioon I, do mesmo trio Noto+Sakamoto+Kliem. A irresistível beleza desta música mínima inspirou outros internautas a criarem vídeos sobre Moon e Aurora. Desfrute, agradecendo à vida.

Obrigado.

19.05.2009

+ delicadeza

 

 

 

 

voltando às postagens da delicadeza, compartilho esta que nos chega pelo Oren Lavie, músico israelense, em seu vídeo stop motion.

Se não for possível assistir ao vídeo no formato acima, por favor acesse:

http://www.youtube.com/watch?v=2_HXUhShhmY

Se desejar verficar a letra da canção Her morning elegance, por favor acesse:

http://www.lyricsmode.com/lyrics/o/oren_lavie/her_morning...

Para mais delicadeza, acesse o tag abaixo com este nome, e terá uma surpresa. Ou não.

Dedico esta postagem à Geralda, em quem penso como sinônimo de delicada delicadeza e generosa gentileza.

19.04.2009

Delicadeza, força

Gostaria de compartilhar meu cântico preferido, dos que em Plum Village temos -- a invocação do nome de Avalokiteshvara. Muito simples, como tudo o mais em Plum Village, porém muito poderoso -- delicadíssimo, dulcíssimo e fortíssimo -- profundamente curativo, eu diria.

Esta gravação foi feita durante a visita de Thich Nhat Hahn ao Instituto Europeu de Budismo Aplicado, na Alemanha (leia mais aqui...), em Novembro de 2008, e o mostra sentado ao sino conduzindo a energia e o cântico, executado pela sangha monástica de Plum Village, parte dela agora residindo no Instituto... Ao assitir o vídeo e não encontrar no coro alguns dos residentes, não posso deixar de pensar que alguns estarão ocupados na cozinha preparando a refeição dos praticantes do retiro, outros organizando a programação das atividades... Uns oferecem o cântico, outros seu trabalho, e todos em plena consciência desfrutam do que fazem... Desfrute você também!





Dedico esta postagem às queridas Geralda e Yara, que compartilharam comigo as primeiras duas semanas do Retiro de Verão de 2008 em Plum Village. Se desejar um pouco mais de delicadeza no seu domingo, no seu feriado, por favor clique aqui.
Obrigado.

15.03.2009

Nada, Nada, Nada, Nada

Terminamos a semana com Nada, citando Charlotte Joko Beck: Portanto, se praticarmos dessa forma, qual a recompensa que teremos? Se de fato praticarmos desse jeito, tudo que temos será levado embora. O que obteremos em troca? A resposta é clara: nada. Contudo, não tenhamos expectativas e esperanças. Não obteremos coisa alguma. Obteremos nossa vida, é claro, mas isso já temos. Para ver mais deste texto, por favor acesse a postagem A Paz reencontrada.

E gostaria de compartilhar uma das trilhas sonoras que toca sempre na minha Rádio Mente, além das canções de Plum Village, e que me diz Nada: Tenho que me aventurar/ Tenho que subir aos céus/ Sem cordas pra segurar/ Tenho que dizer adeus/ Dar as costas, caminhar/ Decidido, pela estrada/ Que ao findar vai dar em nada/ Nada, nada, nada, nada/ Nada, nada, nada, nada/ Nada, nada, nada, nada/ Do que eu pensava encontrar...

E também compartilhar a maravilhosa interpretação de Elis Regina para essa canção de Gilberto Gil, sem qualquer acompanhamento musical - o vídeo é uma colagem gratuita de imagens da cantora, e vale fechar os olhos para desfrutar da música:






Se o vídeo acima não funcionar, você pode assisti-lo em
http://www.youtube.com/watch?v=tWuQc7W0O-A

A letra completa está disponível em http://paraserzen.blogspirit.com/archive/2007/06/15/se-eu....

Obrigado.

01.11.2008

Remix

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Quem responde ao chamado para a oração?
Soa o muezın, o mundo não pára para ouvir.
No café ao ar livre, a batida eletrônica:
Allah involuntariamente remixado nos meus ouvıdos
soa puro no meu coração.

11.09.2008

Crescendo juntos



Esta eh a cena do musical Horizonte Perdido (Lost Horizon, 1973) com a cançao Living Together, Growing Together, composta por Burt Bacharach. Assisti este filme nos cinemas quando era crianca, na companhia dos meus pais, e agradeco muito a eles o fato de estar aqui... Nao me esqueço da cena no filme quando se ouve: Welcome to Shangri-lah!... Bom, eu me sinto assim aqui em Leh... Soh nao pretendo fazer uma familia aqui... Mas se tiver a chance, numa das estradas de terra ou das trilhas entre os campos cultivados que me levam ah cidade, se eu me ver assim sozinho e feliz... Tenho a impressao de que nao serei o primeiro... Vou cantar:

Living together, growing together, just being together,
Thats how it starts.
Three loving hearts all
Pulling together, working together, just building together,
That makes you strong.
If things go wrong we'll still get along somehow,
Living and growing
Just like were doing now, together.



Inspirando, expirando, estamos todos juntos, sempre.

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Se o video no topo nao abrir, por favor assista-o em:
http://www.youtube.com/watch?v=fp8vydLWGJk

09.03.2008

A vida é tão rara

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Mesmo quando tudo pede/ Um pouco mais de calma/ Até quando o corpo pede/ Um pouco mais de alma/ A vida não pára...

Enquanto o tempo/ Acelera e pede pressa/ Eu me recuso faço hora/ Vou na valsa/ A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo/ Espera a cura do mal/ E a loucura finge/ Que isso tudo é normal/ Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando/ Cada vez mais veloz/ A gente espera do mundo/ E o mundo espera de nós/ Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo/ Que lhe falta prá perceber?/ Será que temos esse tempo/ Prá perder?/ E quem quer saber?/ A vida é tão rara/ Tão rara...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



(*) Notas do blog: Esta é a letra da canção Paciência, composição de Lenine e Dudu Falcão, que dedico ao meu companheiro de retiro Alfredo Akira, e a todos que durante alguns muitos dias se entretiveram com a vida maravilhosa das formigas e o vôo raro da borboletas -- com gratidão a todos!

Foto ©Adam Polselli. Para ver mais por favor acesse:
http://adampolselli.com/archives/cat_macro.php

05.02.2008

A alquimia do desespero

Enquanto por aí rola o Carnaval, a postagem de ontem me levou a escutar Amor em Paz, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes:


Eu amei,
e amei ai de mim muito mais,
do que devia amar.

E chorei,
ao sentir que iria sofrer,
e me desesperar.

Foi então,
que da minha infinita tristeza,
aconteceu você.

Encontrei,
em você a razão de viver,
e de amar em paz.

E não sofrer mais,
nunca mais.

Porque o amor,
é a coisa mais triste,
quando se desfaz.



(*) Nota do blog: Esta poderia ser a trilha sonora oficial deste blog -- a transformação da dor do amor em paz. Foi assim que ele começou, com um coração despedaçado que foi buscar orientação no primoroso livro Cultivando a Mente do Amor, do monge zen budista vietnamita Thich Nhat Hahn, querido mestre, em que ele mostra a transformação de um amor romântico em Amor Universal, como na postagem Nadando contra a corrente.

11.12.2007

É preciso amar as pessoas

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...




Trecho da canção Pais e Filhos, composição de Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá -- o Legião Urbana.


(*) Nota do blog: lembrando... Entre as pessoas a amar, inclua-te a ti mesmo. É preciso amar a si mesmo, também.

Com minha gratidão à Sangha Plena Consciência.

18.11.2007

Retorno

O Caminho



Não quero mais seguir
Um só caminho
Tanta mágoa, tanta dor
Dia após dia, sem parar

P'ra que chorar
Com a mesma dor, tanta dor
Não quero mais pensar
No que vai ser

Somente com a dor
Eu te entendo melhor
Sabendo o bom da dor
Eu vou te guardar com muito amor

Capaz de um dia achar você
Sem nem mesmo esperar
E vou dizer não quero mais pensar
No que vai ser

Capaz de um dia achar você
Sem nem mesmo esperar
E vou dizer não quero mais pensar
No que vai ser

E vou dizer
Não quero mais pensar
No que vai ser





(*) Nota do blog: depois de tanto tempo e alguma história, é esta a composição de Bebel Gilberto, na interpretação da própria, que volta a tocar praticamente todos os dias aqui em casa -- e não pelas minha mãos. Aqui em casa, agora, Budas se revezam nas pickups, e o Caminho tem trilha sonora... E esta canção faz-me lembrar do poema de Portia Nelson que compartilhei em uma postagem anterior, Andando pela rua.

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